PEC do fim da escala 6×1 trava no Senado
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas enfrenta obstáculos para avançar no Senado. O texto permanece parado na Mesa Diretora da Casa, sob responsabilidade do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que ainda não encaminhou a matéria para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa necessária para o início da tramitação.
A demora tem gerado cobranças nos bastidores e entre parlamentares favoráveis à proposta. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar, afirmou não ter recebido qualquer sinalização sobre quando a PEC será enviada à comissão. Além disso, uma reunião prevista entre Otto e Alcolumbre foi cancelada, enquanto o tradicional encontro de líderes partidários, que costuma definir os rumos da pauta legislativa, também não foi realizado.
Especialistas avaliam que a estratégia reflete a cautela do Senado diante de um tema que divide opiniões. De um lado, trabalhadores e setores ligados ao governo defendem a mudança por garantir mais descanso e qualidade de vida. Do outro, representantes do empresariado e parlamentares da oposição demonstram preocupação com possíveis impactos econômicos, como aumento de custos para as empresas, efeitos sobre o emprego e reflexos na inflação.
Enquanto a PEC do fim da escala 6×1 segue sem avanços, uma proposta alternativa apresentada pela oposição já foi encaminhada à CCJ. O texto mantém o atual modelo de trabalho, mas prevê a ampliação da contratação por hora trabalhada. Mesmo com o impasse, líderes governistas pressionam para que a proposta aprovada pela Câmara seja votada ainda neste semestre, antes do recesso legislativo de julho, mantendo aceso um dos debates trabalhistas mais importantes do país em 2026.