WAGNER, DOSIMETRIA E O TIRO NO PÉ
COLUNA WENSE

Por Marco Wense
Tem alguma coisa nesse comportamento de Jaques Wagner que ainda continua obscura. Falo da diminuição das penas dos condenados pela tentativa de golpe de Estado com a aprovação do texto da dosimetria pelo Senado.
Wagner é o líder do governo Lula 3 na Casa Legislativa. Mesmo sabendo da posição contrária do presidente Lula, fez um acordo com o líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN). O clã Bolsonaro penhoradamente agradece.
Fica difícil acreditar que um político como Jaques Wagner, líder do governo na Câmara Alta, faria um acordo com o bolsonarismo em torno de uma proposta que tem como maior opositor o petista-mor, o chefe do Palácio do Planalto, seu companheiro de priscas eras.
Mesmo sabendo da posição do presidente, radicalmente contra a dosimetria, Wagner fez um acordo com o líder da oposição sem sequer consultá-lo. O staff do lulopetismo, com destaque para Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, ficou espantado.
A opinião de que Jaques Wagner não tem mais condições de ser o líder do governo na Casa Legislativa toma conta do lulopetismo, que não enxerga outra saída que não seja a sua destituição.
Lembrando ao caro e atento leitor que a oposição, como contrapartida à diminuição das penalidades, sendo o beneficiado-mor Jair Messias Bolsonaro, ajudou a aprovar no Senado a redução de benefícios fiscais, livrando o governo de cortar R$ 20 bilhões no orçamento.

“Primeiro degrau”, disse o senador presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) assim que soube da aprovação da dosimetria, deixando nas entrelinhas que o segundo degrau vai ser a elegibilidade do pai.
O bom conselho para o senador Jaques Wagner é abrir os olhos para sua reeleição, sob pena de não permanecer por mais oito anos no Senado da República, como é do seu legítimo desejo.
Certo mesmo, dado como favas contadas, é a eleição de Rui Costa (PT) para uma das duas vagas ao Senado. Todas as pesquisas de intenções de voto apontam o ex-governador na dianteira, com uma frente significativa em relação ao segundo colocado.

E tem mais: a maioria esmagadora dos prefeitos do PSD, que foi a legenda que mais elegeu chefes do Poder Executivo na última sucessão municipal, no total de 115 alcaides, vai fazer campanha para o senador Angelo Coronel (PSD-reeleição), ficando como segunda opção Rui Costa ou um candidato do netismo.
Nos bastidores, longe dos holofotes e do povão de Deus, a opinião que prevalece entre os gestores do PSD é a de que a majoritária puro-sangue petista, idealizada por Wagner, defenestrando o Coronel, sem dó e piedade, é um desrespeito ao partido, que é um dos principais da base aliada e imprescindível à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Como não bastasse a revolta dos prefeitos do PSD, Jaques Wagner, com o acordo com a oposição em torno da dosimetria, conseguiu irritar o PT mais à esquerda e o mais antibolsonarista.

Concluo dizendo que à reeleição de Jaques Wagner passa ser uma grande incógnita. O ainda líder do governo Lula no Senado vem atirando no próprio pé.
Por Marco Wense
COLUNA WENSE, QUINTA-FEIRA, 18 DE DEZEMBRO DE 2025.