Verão na Bahia: dicas para atravessar a temporada de festas com bem-estar
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Entre o Réveillon e o Carnaval, a Bahia vive uma intensa sequência de festas, marcada por altas temperaturas, madrugadas longas e alterações na rotina diária. Embora o período seja associado a celebrações, reencontros e diversão, o acúmulo de excessos pode acabar trazendo impactos negativos para o corpo. Alimentação desregulada, ingestão frequente de bebidas alcoólicas, poucas horas de descanso e falta de hidratação afetam diretamente a energia, o equilíbrio do organismo e o sistema imunológico.
De acordo com a infectologista Maria Alice Sena, da Hapvida, manter o corpo bem alimentado e hidratado é essencial para o funcionamento adequado. “A falta de alimentação leva à baixa das taxas de glicose no sangue, o que pode causar sintomas desagradáveis e riscos à saúde, principalmente para o cérebro”, explica. Ela pontua que, embora a suspensão ocasional das refeições não cause prejuízos significativos à imunidade, pode resultar em mal-estar, cansaço excessivo e alterações no estado mental.
O consumo recorrente de álcool também merece atenção durante esse período. Mesmo sem episódios pontuais de exagero, o hábito pode provocar efeitos importantes no organismo. “O consumo contínuo de álcool, principalmente quando utilizado como única fonte de calorias, pode levar a complicações no organismo, sendo a mais frequente as alterações no fígado, a depleção das reservas de vitaminas e a alteração da capacidade de atenção e de tomada de decisão”, afirma a especialista. Nos casos de ingestão excessiva, os riscos aumentam e podem incluir desidratação, intoxicação aguda, vômitos, diminuição do nível de consciência, infecções respiratórias por broncoaspiração e até coma alcoólico.
Outro problema comum no verão é a desidratação, que nem sempre é percebida de imediato. Segundo Maria Alice, a sede é o primeiro sinal, mas outros sintomas indicam que o organismo já está em sofrimento. “Boca seca, tontura, cansaço, náuseas, pele pegajosa, confusão mental e urina bem concentrada e em pouca quantidade são sinais de alerta”, destaca.
As noites mal dormidas, frequentes durante a maratona de eventos, também comprometem o equilíbrio do corpo. “O sono é responsável pelo restabelecimento das funções orgânicas; ele é reparador. A privação frequente pode levar a confusão mental, dificuldade de raciocínio e tontura”, explica a infectologista. Ela acrescenta que o estresse crônico pode reduzir a capacidade de resposta do organismo, inclusive afetando a imunidade.
O corpo costuma sinalizar quando atinge seus limites, e ignorar esses alertas pode agravar o quadro. “A fadiga pode se manifestar por dificuldade em iniciar ou manter atividades, sensação persistente de falta de energia, desejo constante de descansar, lentidão cognitiva e física, além de sintomas associados como dor de cabeça, irritabilidade e distúrbios do sono”, alerta.
Apesar disso, é possível aproveitar o verão e as festas sem prejuízos à saúde, desde que alguns cuidados sejam adotados. “Precisamos manter a moderação sempre. Alimentar-se adequadamente, hidratar-se constantemente, evitar o consumo excessivo de bebida alcoólica ou drogas recreativas, evitar exposição solar excessiva, usar protetor solar e respeitar os limites físicos do corpo”, orienta Maria Alice. Ela também reforça a importância do descanso após eventos que exigem esforço fora do habitual, para permitir a recuperação do organismo.
Para quem pretende atravessar o período do Réveillon ao Carnaval sem adoecer, a infectologista ressalta a necessidade de planejamento. “Preparar-se antecipadamente para as maratonas de festas, organizando trajetos que garantam acesso à alimentação adequada e à hidratação com produtos de boa procedência é fundamental”, afirma. Além disso, recomenda evitar aglomerações caso o esquema vacinal não esteja em dia, respeitar os momentos de repouso, evitar excessos de álcool e substâncias que comprometam a tomada de decisões e manter a prática de sexo seguro. “Em caso de qualquer falha, é importante buscar atendimento médico imediato para as profilaxias”, completa.