Verão e celebrações: veja como descartar corretamente os resíduos que crescem na época mais quente do ano
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Durante a estação mais quente do ano, a agenda de shows, ensaios e festas se intensifica e, com ela, cresce de forma expressiva o consumo de bebidas e alimentos acondicionados em embalagens descartáveis. Esse aumento é especialmente perceptível em praias, bares e eventos ao ar livre, resultando em um grande acúmulo de resíduos como latas de alumínio, garrafas plásticas e de vidro, além de embalagens de isopor. Quando o descarte é feito de maneira inadequada, os danos ao meio ambiente são significativos e os serviços de limpeza urbana acabam sobrecarregados.
A analista ambiental da Retec – empresa especializada no tratamento de resíduos sólidos -, Mila Fernanda, ressaltou que a destinação incorreta desses materiais vai muito além do impacto visual. “O verão concentra festas, eventos, turismo e consumo ao ar livre, o que faz a geração de resíduos crescer em pouco tempo. Latas, garrafas e embalagens descartáveis aparecem em grande volume, principalmente em praias e espaços públicos. Sem planejamento específico, os sistemas de coleta e limpeza urbana ficam sobrecarregados”, afirmou.
Segundo Mila, o Brasil se destaca mundialmente na reciclagem de latas de alumínio, sobretudo porque o material possui alto valor econômico e pode ser reaproveitado diversas vezes sem perda de qualidade. Em contrapartida, a reciclagem de outros resíduos, como o vidro, ainda enfrenta obstáculos. Apesar de ser totalmente reciclável, o vidro tem baixo valor comercial, é pesado e apresenta dificuldades logísticas, o que reduz o interesse pelo reaproveitamento, especialmente em municípios distantes das indústrias recicladoras.
Outro ponto importante é que cada tipo de resíduo exige um cuidado específico na destinação. As garrafas plásticas, por exemplo, devem estar vazias e, sempre que possível, limpas, podendo ser amassadas para diminuir o volume. Já o vidro demanda atenção redobrada, pois pode se quebrar e provocar acidentes com garis e catadores. Nesses casos, o recomendado é encaminhá-lo à coleta seletiva ou a pontos apropriados de entrega.
Também é fundamental não misturar resíduos recicláveis com o lixo comum. “Quando os recicláveis são jogados junto com restos de comida e resíduo orgânico, eles se contaminam, perdem o valor e, muitas vezes, deixam de ser reciclados. Na prática, isso significa desperdício de material e aumento do volume enviado aos aterros sanitários”, pontuou a analista.
No verão, essa preocupação se intensifica ainda mais por causa da poluição dos mares. Materiais como plástico e isopor são leves, facilmente levados pelo vento e pela chuva, e acabam alcançando o ambiente marinho, onde podem ser ingeridos por animais e causar sérios danos aos ecossistemas.
O que fazer?
Algumas ações simples podem ser adotadas por organizadores de eventos e celebrações ao ar livre, gerando impactos positivos para o meio ambiente e para a sociedade. “Instalação de lixeiras identificadas, pontos de entrega voluntária temporários, parcerias com cooperativas de catadores e campanhas educativas visíveis são algumas ações iniciais importantes. Quando o descarte correto é fácil e bem sinalizado, a adesão da população aumenta”, esclareceu Mila.
A analista ambiental reforçou ainda que atitudes cotidianas da população fazem grande diferença. “Separar corretamente o resíduo , usar os coletores disponíveis e evitar o descarte em praias e ruas ajuda a proteger o meio ambiente, valoriza o trabalho dos catadores e mantém as cidades limpas e agradáveis para todos”, finalizou.