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Uso de telas desde cedo pode impactar o desenvolvimento infantil

 Uso de telas desde cedo pode impactar o desenvolvimento infantil

Foto: Freepik

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O avanço da tecnologia e a presença cada vez mais frequente de dispositivos digitais na rotina familiar têm provocado mudanças significativas na forma como as crianças vivenciam a infância. Conforme orienta a Sociedade Brasileira de Pediatria, crianças com menos de dois anos não devem ter contato com telas e, nos primeiros anos de vida, o tempo de exposição deve ser controlado e acompanhado por adultos. Para Larissa Machado, psicanalista e diretora do Colégio São Paulo – unidade Tempo de Criança, instituição ligada à Inspira Rede de Educadores, o excesso de estímulos digitais na infância pode afetar fases importantes do desenvolvimento. “Esse fenômeno está associado a atrasos na linguagem, alterações no sono, dificuldades de atenção e ao empobrecimento das interações sociais, uma vez que reduz o tempo dedicado a experiências essenciais para a criança, como o brincar, a convivência e o movimento corporal”, explica.

Atualmente, a infância tem se deslocado de uma cultura marcada pelo brincar para uma realidade cada vez mais mediada por dispositivos eletrônicos. Esse processo também tem sido relacionado ao aumento de quadros de ansiedade e maior fragilidade emocional entre crianças e adolescentes. O uso constante das telas, que antes era pontual, tornou-se parte da rotina. “Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de reconhecer que o uso desregulado e excessivo pode comprometer o desenvolvimento emocional, cognitivo, social e físico, afinal, a tela ativa, mas não vincula. Prende a atenção, mas não sustenta”, destaca a psicanalista.

No ambiente escolar, os impactos também são perceptíveis no comportamento das crianças. Professores observam mais dificuldade de concentração em tarefas que não envolvem dispositivos digitais, menor tolerância à frustração e uma dependência maior de estímulos externos. Diante desse contexto, família e escola passam a desempenhar papéis complementares na mediação do uso da tecnologia e na construção de hábitos mais equilibrados. Espaços educativos que incentivam práticas esportivas, atividades artísticas, leitura, projetos coletivos e convivência contribuem para ampliar experiências e fortalecer relações sociais. “Uma escola viva conquista, de forma saudável, a atenção da criança com a tela, oferecendo aquilo que a tecnologia não pode oferecer: pertencimento, desafio mediado e construção coletiva de sentido”, ressalta a diretora da Tempo de Criança.

Estabelecer limites para o uso de telas é considerado um cuidado essencial para o desenvolvimento das novas gerações. Especialistas defendem a importância de garantir às crianças experiências fundamentais, como brincar, conviver com outras pessoas e explorar o mundo de forma ativa. “A tela oferece estímulo intenso, rápido e recompensador, mas pobre em reciprocidade. A infância não pode ser terceirizada para algoritmos”, conclui Larissa.

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