15 de fevereiro de 2026
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Uso de antidepressivos pode afetar a fertilidade, alerta especialista

 Uso de antidepressivos pode afetar a fertilidade, alerta especialista

Foto: Divulgação

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O consumo de medicamentos destinados ao cuidado da saúde mental continua crescendo no Brasil. Levantamento recente do Conselho Federal de Farmácia indica que, entre 2022 e 2024, a utilização desses fármacos aumentou 18,6%. Esse crescimento está associado à ampliação do debate sobre transtornos psiquiátricos, à diminuição do preconceito e ao maior acesso aos tratamentos. Paralelamente, surgem questionamentos entre pessoas que desejam engravidar e se preocupam com possíveis interferências dos antidepressivos na fertilidade. Apesar de serem fundamentais no controle da depressão e da ansiedade, esses medicamentos agem diretamente no sistema nervoso central e podem gerar efeitos no sistema reprodutivo.

“Os antidepressivos regulam neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina, fundamentais para o equilíbrio emocional. No entanto, essa modulação pode influenciar o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, responsável por processos como ovulação, produção hormonal e espermatogênese. Entre os efeitos mais observados estão redução da libido, irregularidades menstruais, alterações no padrão de ovulação e, nos homens, mudanças na produção de espermatozoides”, explica o médico Fábio Vilela, especialista em reprodução humana do IVI Salvador.

Mesmo diante dessa relação, não há comprovação científica de que o uso de antidepressivos provoque infertilidade definitiva. Os efeitos, quando ocorrem, tendem a ser reversíveis e dependem de fatores como o tipo de medicamento, a dosagem, o período de uso e as condições de saúde de cada paciente. Vilela destaca ainda que a depressão sem tratamento pode causar prejuízos ainda maiores à saúde reprodutiva do que o próprio medicamento. “O desequilíbrio emocional aumenta o cortisol, afeta o ritmo ovulatório e compromete a qualidade seminal. Por isso, suspender o tratamento sem orientação médica jamais deve ser uma opção”, reforça.

Diante desse cenário, o acompanhamento multidisciplinar se mostra essencial, reunindo psiquiatras, ginecologistas, urologistas e especialistas em reprodução assistida. Essa atuação conjunta possibilita uma avaliação individualizada dos efeitos dos medicamentos, análise hormonal, estudo da qualidade dos gametas e definição de condutas seguras para quem planeja a gravidez. “O ideal é que a equipe médica encontre soluções personalizadas, considerando que cada organismo responde de maneira diferente. Aquilo que funciona para uma paciente pode não ser adequado para outra. Esse diálogo contínuo entre paciente e profissionais é essencial”, acrescenta o especialista.

Nos casos em que há dificuldade para engravidar – seja em função dos medicamentos, de fatores emocionais ou de outras condições associadas – a Fertilização in Vitro (FIV) surge como uma alternativa relevante. A técnica permite uma investigação detalhada dos óvulos, do sêmen e do ambiente uterino, auxiliando na identificação dos fatores que podem estar dificultando a gestação. “Um plano de cuidado bem estruturado leva em conta o histórico emocional da paciente, seu diagnóstico psiquiátrico, idade, tempo de uso dos medicamentos, reserva ovariana, saúde espermática e estilo de vida. São essas decisões integradas que aumentam a segurança do tratamento e as chances de sucesso”, detalha Vilela.

O consenso entre os especialistas é de que o desejo de engravidar pode, sim, caminhar junto com o uso de antidepressivos. Com orientação adequada, planejamento individualizado e integração entre os cuidados com a saúde mental e reprodutiva, é possível atravessar essas duas etapas com mais segurança, confiança e tranquilidade.

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