Temporada das baleias-jubarte fortalece Salvador como destino do turismo de natureza
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS
A Prefeitura de Salvador deu início oficialmente, nesta quinta-feira (06), à temporada de observação das baleias-jubarte. A iniciativa faz parte da estratégia municipal para fortalecer a capital baiana como referência nacional em turismo de natureza e experiências, ampliando as opções oferecidas aos visitantes para além das praias e do turismo tradicional. A proposta também incentiva atividades ligadas à economia do mar, ao turismo náutico e à conscientização ambiental.
O lançamento reuniu integrantes da administração municipal, pesquisadores e profissionais da imprensa em um passeio de observação na Baía de Todos-os-Santos. A ação teve como objetivo apresentar o potencial da atividade para atrair visitantes, estimular a economia local e consolidar Salvador como um destino voltado ao turismo sustentável.
Entre os meses de julho e outubro, milhares de baleias-jubarte migram da Antártica para o litoral brasileiro em busca de águas mais quentes para reprodução e nascimento dos filhotes. A costa da Bahia figura entre as principais áreas de concentração da espécie no Atlântico Sul, colocando Salvador em posição estratégica para impulsionar esse segmento turístico.
Além dos passeios de barco, a temporada conta com o Ponto Fixo de Observação do Projeto Baleia Jubarte, localizado no Museu Náutico da Bahia, no Farol da Barra. O espaço disponibiliza binóculos gratuitamente para que moradores e turistas acompanhem o monitoramento realizado pelos pesquisadores. O local também abriga a exposição “Salvador das Baleias”, que retrata a relação histórica entre a cidade e os cetáceos, desde a época da atividade baleeira até as atuais iniciativas de preservação.
No ano passado, somente a partir do Farol da Barra foram contabilizados aproximadamente 1,4 mil avistamentos de baleias-jubarte. No mesmo período, mais de 80 mil pessoas visitaram a exposição, cerca de 10 mil participaram das atividades de observação promovidas pelo Projeto Baleia Jubarte e 103 escolas desenvolveram ações voltadas à educação ambiental.
A secretária municipal do Mar (Semar), Duda Lomanto, ressaltou que a presença dos animais já tem impulsionado o turismo na capital e defendeu a consolidação da observação das baleias como mais um atrativo da cidade. “Hoje já recebemos turistas do interior, de outros estados e até de outros países. Cada vez mais, Salvador está se tornando esse hub de conexões das baleias. É aqui que elas escolhem ficar, porque aqui é a Baía de Todos-os-Santos, esse lugar sagrado”, afirmou.
Ela também destacou que a proximidade das baleias com a costa é um dos diferenciais de Salvador.
“Ontem mesmo foram avistadas 28 baleias pertinho do Farol da Barra. Então, realmente, a gente tem esse privilégio de não só vê-las olhando para o mar, mas também indo para o mar. Essa facilidade é raríssima no mundo. O impacto que isso gera é realmente no turismo. As pessoas saem para ver as baleias, assistir ao pôr do sol no Farol da Barra, tomar um sorvete, passear. É um convite para a cidade se movimentar olhando para a Baía de Todos-os-Santos e para as baleias”, completou.
Conservação e pesquisa
Durante o evento, o secretário municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal (Secis), Ivan Euler, enfatizou que a importância das baleias ultrapassa o aspecto turístico, destacando sua contribuição para o equilíbrio ambiental e para a preservação dos oceanos.
“Existe um cálculo que diz que uma baleia corresponde a 30 mil árvores. As baleias absorvem gases durante o seu crescimento e, depois, quando morrem, vão para o fundo do oceano. Assim, esse carbono permanece armazenado lá. Então, essa espécie, além de fortalecer o turismo e movimentar a economia, também ajuda o planeta, o meio ambiente e contribui para o combate às mudanças climáticas”, disse.
O secretário acrescentou que os oceanos são responsáveis por metade do oxigênio produzido no planeta. “Outro dado importante é que 50% do oxigênio que respiramos vem dos oceanos, do fitoplâncton e das algas. E as fezes das baleias ajudam essas algas e o fitoplâncton a crescerem e produzirem ainda mais oxigênio”, afirmou.
O coordenador de Pesquisa do Projeto Baleia Jubarte, Sérgio Cipolotti, destacou que o aumento da população da espécie é resultado das políticas de conservação implementadas nas últimas décadas. “A costa da Bahia é um grande berçário das baleias-jubarte. Ao longo desses 38 anos de atuação, saímos de uma população estimada entre 1,5 mil e 2 mil baleias, em 1988, para quase 35 mil indivíduos utilizando a costa brasileira. Esse crescimento é um reflexo direto das ações de conservação e, principalmente, do fim da caça comercial, que deu às baleias a oportunidade de se recuperarem”, declarou.
Segundo ele, os animais voltaram a ocupar áreas de Salvador que haviam sido abandonadas durante o período da caça comercial. “Hoje, essa grande concentração de baleias em Salvador acontece porque elas já utilizavam essa região antes da caça comercial. Foram praticamente exterminadas e agora estão retomando suas antigas áreas de ocupação”.
Cipolotti explicou ainda que a Baía de Todos-os-Santos oferece condições ideais para a reprodução das jubartes. “A Baía de Todos-os-Santos tem um papel muito importante nesse processo porque oferece águas protegidas. As fêmeas vêm para cá ter seus filhotes, e essas áreas abrigadas funcionam como um ambiente seguro para a amamentação”, afirmou.
Observação segura
Durante toda a temporada, as embarcações seguem normas específicas para garantir a proteção dos animais. A distância mínima permitida para aproximação é de 100 metros, além da obrigatoriedade de reduzir a velocidade durante a observação. Em diversas ocasiões, entretanto, são as próprias baleias que se aproximam espontaneamente das embarcações.
As baleias-jubarte adultas podem alcançar até 16 metros de comprimento e pesar cerca de 40 toneladas. Já os filhotes nascem com aproximadamente três a quatro metros de comprimento e peso em torno de uma tonelada.
Os passeios têm duração média entre duas e quatro horas e podem ser realizados por pessoas de todas as idades. Atualmente, duas empresas atuam em parceria com o Projeto Baleia Jubarte, embora outras operadoras também ofereçam esse tipo de passeio em Salvador.
Como não há uma rota definida nem um horário específico para os avistamentos, cada saída depende das condições do mar e da presença dos animais, tornando a experiência única para turistas e moradores.