Ser Mulher é Odara: projeto do CJCC amplia debate sobre violência, inclusão e acolhimento feminino
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Os números da violência contra a mulher no Brasil seguem em crescimento e reforçam a urgência de iniciativas que promovam acolhimento, debate e conscientização dentro das escolas e da sociedade. Segundo informações atualizadas do Mapa Nacional da Violência de Gênero, somente no primeiro semestre de 2025 o país registrou 718 feminicídios. No mesmo período, o levantamento do Observatório da Mulher Contra a Violência, do Senado, contabilizou 33.999 casos de estupro contra mulheres, uma média alarmante de 187 vítimas por dia.
Diante desse cenário, projetos que buscam abrir espaço para discussão, proteção e visibilidade tornam-se ainda mais essenciais. É nesse contexto que surge o Ser Mulher é Odara, iniciativa criada no Centro Juvenil de Ciência e Cultura, no Colégio Estadual da Bahia, que teve como objetivo inicial, promover a insclusão de mulheres trans no ambiente escolar. Com o tempo, porém, o projeto ampliou seu alcance ao perceber que as questões femininas atravessam o ano inteiro e vão muito além das campanhas de março e outubro.
Idealizado por Edimáire Barros e desenvolvido em conjunto com estudantes do CJ, o Ser Mulher é Odara reúne temas como violência doméstica, violência no trabalho, assédio, feminicídio e o impacto dessas problemáticas sobretudo na vida das mulheres negras – que seguem entre as principais vítimas das desigualdades e agressões no país, em meio a ujma roda de conversa. O projeto também é agrupado por Júlia Costa, Eduarda Marques, Brenda Jesus, Caroline Carvalho, Yasmim Fagundez e Giovanna Fiuzza.
“O projeto é apresentado em uma roda de conversa, com pessoas que vivenciam tudo isso todos os dias, e a gente também, não só as pessoas que são convidadas, todo mundo em si. Quando a gente pensou em uma roda de conversa, não é só quem vem para falar, seria todo mundo para falar sobre suas vivências, porque todas nós temos alguma coisa que passa todos os dias”, disse Edimáire, em entrevista ao solnascentenews.
Com o objetivo do projeto crescer, a idealizadora comenta que espera mais visibilidade: “Eu não queria que fosse apenas hoje, mas sim é só o começo, a gente vai juntar alguma coisinha para ele crescer. Não quero que o projeto acabe aqui hoje, quero muito que ele vá em frente, que ele consiga encontrar mulheres para dá vozes, como mulheres que apanham, que sofrem no trabalho, assédio na rua, na escola, no dia a dia, e todos os fatores. Eu quero que o projeto seja o ano inteiro, se estendesse ao máximo no ano de 2026”.
“Nós queremos divulgar mais o projeto em colégios, porque eu quero muito que as pessoas entendam, principalmente as mulheres trans. E que elas precisam de cuidado, principalmente na escola. Depois vem também a questão da menina, de como ela deve ser tratada, e como podemos ensinar para os meninos, para eles saberem o quanto é importante o respeito com nós, mulheres”, comenta Edimáire.
A roda de conversa realizada nesta terça-feira (09) reuniu nomes que dão corpo e diversidade às discussões sobre gênero, identidade e vivências femininas. Entre os convidados estavam Nutt, Ianê, Layla Lopes, Luziane Santos e representantes do projeto As Pretas Falam, que contribuíram com diferentes perspectivas sobre a realidade das mulheres, especialmente negras e periféricas. A presença desses participantes reforçou o caráter plural do encontro e ampliou o debate proposto pelo Ser Mulher é Odara, aproximando o público de relatos, trajetórias e experiências que dialogam diretamente com os desafios enfrentados no cotidiano.

Estudantes do CJCC:
Para Júlia Costa, é gratificante ter participado da criação do projeto: “Eu fico feliz em fazer parte disso, muito lisonjeada de ter participado no início disso tudo, e que vai dar tanta visibilidade para as mulheres trans, negras, para mulheres que realmente precisam de acolhimento, e isso me deixa muito feliz de ver que existem pessoas que fazem com que isso aconteça, e que a conscientização consiga chegar em outras pessoas”, disse a estudante.
“Ainda acho que o projeto precisa alcançar de uma maneira significativa, porque ele ainda está dentro de uma caixa, pois ele ainda precisa de mais visibilidade, para chegar em mais mulheres. Hoje foi a primeira vez que colocamos o evento em prática, então imagino que muita gente deve conhecer o projeto, mas por mais visibilidade, com mais mídia, ele acaba chegando em mulheres que ainda não conhecem”, disse.

Mesmo terminando o ensino médio, a estudante Caroline Carvalho, pretende continuar no projeto: “Até porque, como foi falado para as outras meninas, apesar do projeto ainda estar em uma caixa, a gente pretende expandir ele, de forma que não seja só em Salvador, seja municipal, estadual, nacional, onde ele conseguir chegar, onde colocaremos nosso peito para realmente fazer valer a pena”.
“O Centro Juvenil é onde tudo começou. A gente começou pela ciência, fazendo vários projetos voltados para a ciência, e a nossa amiga Mari, veio com essa ideia de movimentar e mobilizar mais o CJ, principalmente para que ele cresça, para que conseguirmos mais visibilidade, porque aqui é a nossa casa, a gente constrói os nossos sonhos dentro do Centro Juvenil”, diz Caroline.
Criação “Odara”
“Odara é um símbolo de fortaleza. Para gente surgiu esse nome em uma roda de conversa, onde estávamos decidindo justamente qual seria o nome do projeto, e a gente estava colocando em pauta, nomes que achávamos símbolo de fortaleza, que é demonstrar mesmo o que é ser mulher, e aí uma das meninas citou ‘por que a gente não coloca Odara?’, e achamos um nome de peso, que demonstre o que é o nosso projeto”, detalha Caroline.
O projeto Ser Mulher é Odara, é aberto para qualquer pessoa, para qualquer idade, independente do sexo, gênero, é só entrar em contato com o Centro Juvenil a partir desse contato: (71) 31151401. Para mais informações, acessem o Instagram @cjccsalvador.