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Paternidade muda o cérebro masculino

 Paternidade muda o cérebro masculino

Foto: Divulgação

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Celebrado no segundo domingo de agosto, o Dia dos Pais é uma oportunidade para reforçar a relevância da presença paterna no crescimento dos filhos. A participação do pai contribui para aspectos comportamentais e cognitivos importantes e, embora essa influência nem sempre seja percebida pelos próprios homens, a experiência da paternidade pode provocar transformações significativas, inclusive no cérebro.

Uma das características do cérebro humano é a neuroplasticidade, capacidade de se adaptar e modificar conforme as demandas do ambiente e as necessidades do indivíduo. Na paternidade, algumas habilidades consideradas essenciais, desenvolvidas ao longo da evolução, podem ser potencializadas naturalmente depois do nascimento de um filho.

Apesar de ser comum associar as maiores transformações após a chegada de um bebê às mães, os homens também passam por mudanças nessa etapa. Um estudo publicado na revista Cerebral Cortex identificou, por meio de exames de imagem, alterações no volume do córtex cerebral de homens após se tornarem pais.

As modificações podem refletir até mesmo no tamanho do cérebro. Nos primeiros períodos da paternidade, pode ocorrer uma pequena redução temporária do volume cerebral, que tende a retornar posteriormente aos níveis anteriores. A alteração estaria relacionada às novas exigências de atenção e concentração necessárias para os cuidados com o bebê.

“Ao trabalhar com meus pacientes adultos as necessidades emocionais básicas da infância encontramos faltas e feridas que estão relacionadas a violências da educação parental, mas também a ausências em momentos tanto ordinários como especiais”, afirma a psicóloga Bianca Reis.

Segundo a especialista, a presença paterna também pode desempenhar um papel importante na relação da criança com o ambiente social e na construção de sua identidade.

“Podemos ver esta figura como ponte para o mundo externo e agente ativo na socialização da criança, assim como identificação e noção de pertencimento dela no mundo, a ausência sem que alguém ocupe esta função (independente de quem seja) pode gerar insegurança afetiva e dificuldades na adaptação social do indivíduo, além disso, perde-se a oportunidade de evoluir em relação com este filho. Em adição, não há nenhum problema de uma criança ser criada por duas mães ou dois pais. O desenvolvimento emocional, social e cognitivo se encontram totalmente preservados em uma configuração familiar como as citadas, pois a qualidade do vínculo, o afeto, o desejo e as funções de cuidado, limites, disciplina e amor podem ser exercidas por qualquer gênero”, acrescenta.

Mudanças provocadas pela paternidade

Segundo estudos na área da neurociência, homens e mulheres desenvolveram características cerebrais distintas ao longo da evolução, relacionadas às necessidades enfrentadas por seus antepassados. Essas diferenças permanecem mesmo diante das alterações provocadas pela chegada de um bebê.

Em média, os homens apresentam um cérebro entre 10% e 15% maior e aproximadamente 30% mais conexões neuronais que as mulheres. No entanto, essa diferença está relacionada principalmente ao tamanho corporal. Já o cérebro feminino apresenta, proporcionalmente, maior quantidade de substância cinzenta e fluxo sanguíneo mais elevado, características associadas a diferentes formas de processamento das informações.

No contexto da paternidade ativa, algumas alterações também podem ocorrer no organismo masculino. Entre elas estão a diminuição da massa cinzenta, a redução dos níveis de testosterona e cortisol e o aumento da atividade do sistema límbico.

Essas mudanças podem favorecer o desenvolvimento da empatia e aumentar a atenção direcionada ao filho, além de estimular comportamentos relacionados ao cuidado e à proteção.

“Diante destes dados, o lugar da paternidade pode ser visto não apenas como algo interessante e protetivo para a relação familiar e de formação dos filhos, mas como uma maneira de ampliarmos as discussões sobre masculinidades e a possibilidade mais saudável e menos violenta deste homem existir em sociedade”, conclui a psicóloga Bianca Reis.

Sobre Bianca Reis

Bianca Reis é psicóloga (03/11.152), psicoterapeuta, palestrante e facilitadora de grupos. É mestra em Família, especialista em Psicoterapia Junguiana e pós-graduada em Estimulação Precoce. Atualmente, também é pós-graduanda em Neuropsicologia: Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica e em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. A profissional é formada em Terapia do Esquema.

Com mais de 12 anos de experiência na área clínica, Bianca atua no atendimento de pacientes com questões relacionadas a relacionamentos familiares e amorosos, sexualidade, gênero, infância, ansiedade, depressão e outras demandas psicológicas e humanas.

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