O legado do samba vive: Neto de Riachão lança projeto audiovisual e homenageia os 104 anos do mestre no Suco de Bahia
Foto: Divulgação
No mês da Consciência Negra, Salvador será palco de uma celebração dupla: o aniversário de 104 anos de nascimento de Riachão (1921–2020) – um dos maiores nomes do samba da Bahia e autor de clássicos como “Cada Macaco no Seu Galho” e “Retrato da Bahia” — e o lançamento do audiovisual Suco de Bahia, criado por seu neto, o cantor, compositor e multi-instrumentista Taian Riachão. A obra transforma o palco, o chão e a tela em uma homenagem vibrante ao legado do avô.
O evento será realizado no dia 14 de novembro, no Pátio da Ordem Terceira, no Pelourinho, e marca a 15ª edição do Suco de Bahia – projeto cultural que há anos movimenta a cena artística soteropolitana. Em 2025, a iniciativa reforça sua proposta de unir tradição e inovação, reverenciando a memória do sambista que fez do Centro Histórico um dos principais redutos do samba na capital baiana.
Além do lançamento do audiovisual, a noite contará com apresentações ao vivo e participações especiais, em um roteiro que costura passado e presente, refletindo a célebre frase do mestre: “o samba nunca morre, só renasce diferente.” A criação de Taian – que também é arquiteto – reflete o aprendizado transmitido por Riachão e sua busca por novas sonoridades da música negra brasileira.
“Meu avô sempre acreditou na infinitude do samba da Bahia. Hoje, eu canto e toco como um ato de resistência, para somar forças ao coletivo de pessoas que continuam perpetuando essa memória – que também é memória e continuidade do samba no Brasil”, destaca Taian.
Um tributo audiovisual ao Pelourinho
Gravado no próprio Pelourinho, onde Riachão realizou inúmeras apresentações e ajudou a eternizar o samba baiano, Suco de Bahia será lançado simultaneamente no YouTube e Spotify. A produção visual e musical traz participações de Clarindo Silva, ícone do Centro Histórico e amigo de longa data do sambista, e de Tiri de Castro, cantor da nova geração que adiciona frescor e contemporaneidade à homenagem.
O ponto alto do audiovisual é o pot-pourri “De Riachão a BaianaSystem”, que conecta o legado do mestre às novas expressões da música baiana. A obra também inclui releituras de canções de Liniker, Belo e Péricles, atravessando diferentes estilos com ritmo, textura e energia.
O repertório se inicia com um samba de roda, em reverência às origens do gênero, e segue com quatro faixas inéditas compostas por Taian e parceiros: “Só Agora”, “Valer a Pena”, “Coração Passarinheiro” e “Vai Sonhar Sozinha”. A direção musical é assinada por Tiago Farias, com arranjos de Taian Riachão, Eduardo Reis, Leandro Tigrão e do próprio Farias.
O legado de Riachão
Nascido Clementino Rodrigues, no bairro do Garcia, Riachão dedicou mais de oito décadas a cantar a Bahia com humor, poesia e irreverência. Suas composições foram gravadas por grandes nomes da música brasileira, como Ivone Lara, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elza Soares, Martinho da Vila, Arlindo Cruz e Cássia Eller, ajudando a moldar a identidade sonora do país.
Símbolo de resistência e guardião da tradição, Riachão mantém viva a chama do samba nos becos e ladeiras de Salvador. É esse mesmo espírito que inspira o Suco de Bahia — um tributo de continuidade, criado por quem reconhece o samba como farol de memória, resistência, luta antirracista e liberdade criativa.
Suco de Bahia: uma gira cultural
Idealizado por Taian Riachão em parceria com o produtor cultural Ícaro Ambrozi, o projeto chega à sua 15ª edição consolidado como um dos eventos mais vibrantes da cena cultural soteropolitana. Transformando o Centro Histórico em um grande terreiro urbano de celebração da música, da ancestralidade e da alegria popular, o Suco de Bahia reverbera os pandeiros, percussões, cuícas, cavaquinhos, violões, vozes e sorrisos de Riachão.
Com estética pulsante e espírito coletivo, o evento tornou-se um ponto de encontro entre gerações e ritmos — um movimento vivo da cultura afro-baiana que reafirma: o samba, de fato, nunca morre.