NO LAMAÇAL DA IRRESPONSABILIDADE
COLUNA WENSE

Por Marco Wense
O Brasil se afunda no lamaçal da irresponsabilidade, em uma preocupante crise institucional, com os Poderes da República se engalfinhando entre si.
Estão jogando o preceito constitucional da harmonia e independência entre os Poderes, artigo 2° da Lei Maior, uma das vigas que sustenta o Estado Democrático de Direito, na lata do lixo.
O pega-pega envolvendo o Executivo, Legislativo e Judiciário é cada vez mais escancarado. Muitas vezes até de baixo nível. O imprescindível respeito entre os Poderes desapareceu, sucumbiu na fétida lama.
O exemplo mais recente da bagunça institucional envolve o STF e o Congresso Nacional, mais especificamente à Câmara dos Deputados.
Veja, caro e atento leitor, a manchete da edição de ontem, terça, 16 de dezembro de 2025, da Folha de São Paulo: “Congresso ignora transparência de emendas parlamentares imposta pelo STF e mantém R$ 1 bilhão com padrinho oculto”.
Padrinho oculto? Que me desculpe o caro leitor, mas não tem como não dizer PQP. O dinheiro vem dos cofres públicos. A prestação de contas tem que ser rígida, centavo por centavo. Tem que dar o nome do “padrinho oculto”.
Que coisa, hein! Como não bastassem o orçamento secreto e as emendas Pix, tem agora o “padrinho oculto”. Se minha saudosa vovó Nair fosse viva, diria que só uma surra de cansanção na bundinha desses parlamentares. E do jeito que ela veio ao mundo.
Os evangélicos, sejam batistas, pentecostais ou de qualquer segmento religioso, quando questionados sobre o imbróglio entre os Poderes, costumam dizer que “só Deus na causa”.
O pior é que os homens de bem estão se afastando da política, fugindo dela como o diabo da cruz. Alguns chegam a lembrar do ditado popular “quem com porcos se mistura, farelos come”.
E assim caminha a República Federativa do Brasil.

O TAL DO “PACOTAÇO”
Quem acompanha a modesta Coluna Wense sabe que venho dizendo que a defenestração do senador Angelo Coronel (PSD-reeleição) da majoritária da base aliada do lulopetismo pode transformar o sonho da reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) em um grande pesadelo.
Como o chefe do Palácio de Ondina sabe que não vai conseguir convencer os companheiros Jaques Wagner e Rui Costa da importância do apoio do Coronel, da sua presença na majoritária, vem agora com um tal de “pacotaço”, que é uma espécie de “toma lá, dá cá, o que faz lembrar o centrão.
O cafuné no Coronel envolve os dois filhos. O deputado federal Diego Coronel (PSD) seria o vice de Jerônimo, dando um chega pra lá no MDB dos irmãos Vieira Lima, Lúcio e Geddel. Ao outro filho, deputado estadual Angelo Coronel Filho (PSD), o fortalecimento da sua reeleição e o apoio na próxima eleição para à presidência da Assembleia Legislativa.
O Coronel já disse, em alto e bom som, como estivesse usando um megafone, que não aceita o tal do “pacotaço”, que sua candidatura à reeleição pertence aos prefeitos da Bahia, “aos quais tenho dedicado o mandato de senador”.

Ao comentar a hipótese de que pode lançar sua candidatura de forma “desgarrada”, mandou o seguinte recado para o lulopetismo da Boa Terra: “Não posso ficar com quem não me quer”. Lembrando ao caro e atento leitor que a ideia da chapa puro-sangue petista é do também senador Jaques Wagner (PT-reeleição).

Pelo andar da carruagem, o imbróglio está longe de ser solucionado. O Coronel perdeu um importante aliado na sua luta para integrar a majoritária, também rotulada de “chapa da soberba”: o senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD.
A indicação do deputado federal Otto Filho (PSD) para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), com o entusiasmado apoio de Jerônimo Rodrigues, deixou Otto pai refém do lulopetismo.
Concluo dizendo que a aceitação do “pacotaço” seria o começo da derrocada política do senador Angelo Coronel, uma mancha no seu currículo de vida pública.
Por Marco Wense