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Março Azul-Marinho: Especialistas destacam a importância da alimentação equilibrada e da colonoscopia na prevenção do câncer colorretal

 Março Azul-Marinho: Especialistas destacam a importância da alimentação equilibrada e da colonoscopia na prevenção do câncer colorretal

Foto: Freepik

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Março é o mês dedicado à conscientização sobre o câncer colorretal, o segundo tipo de tumor mais comum entre homens e mulheres no Brasil, ficando atrás apenas dos cânceres de mama e próstata (excluindo o câncer de pele não melanoma), conforme aponta o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Para 2025, a estimativa do órgão é que surjam 45.630 novos casos da doença no país. Na Bahia, a previsão é de 1.940 diagnósticos ao longo deste ano. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo excessivo de alimentos como carnes vermelhas, gorduras, embutidos e produtos processados – incluindo salsicha, linguiça, bacon e presunto – pode aumentar o risco de desenvolvimento do câncer no intestino.

Diante desses dados, a informação se torna uma ferramenta essencial para a prevenção, já que a doença está fortemente associada ao estilo de vida. “A campanha do Março Azul-Marinho é um alerta para a população sobre a importância dos hábitos saudáveis. Apesar da sua alta incidência, o câncer colorretal é considerado um dos tumores mais preveníveis, uma vez que está associado aos hábitos alimentares e ao estilo de vida”, explica o oncologista Eduardo Moraes, da Oncoclínicas na Bahia. O especialista também destaca outros fatores de risco: “Além dos hábitos pouco saudáveis, o histórico familiar, inflamações intestinais crônicas e a presença de pólipos no intestino podem favorecer o desenvolvimento da doença”.

A oncologista Mirela Souto reforça a importância da alimentação equilibrada e da adoção de hábitos saudáveis: “Alimentação pobre em fibras e rica em ultraprocessados, consumo excessivo de carnes vermelhas, bebidas alcoólicas, obesidade, sedentarismo e tabagismo são fatores que aumentam o risco para o desenvolvimento desse tipo de câncer”. Ela também destaca medidas preventivas fundamentais: “Manter-se no peso adequado, adotar uma alimentação saudável e minimamente processada, praticar atividade física de forma regular e realizar os exames de rastreamento são atitudes que fazem toda diferença para prevenção do câncer colorretal”.

Fique atento aos sintomas
De acordo com a oncologista Maria Cecília Mathias, o câncer colorretal muitas vezes só manifesta sintomas em estágios mais avançados, o que pode tornar a doença mais letal devido ao diagnóstico tardio. “Sintomas como fadiga, perda de peso sem causa aparente, alterações no hábito intestinal (diarreia ou constipação), presença de sangue nas fezes, anemia, desconforto ou dor abdominal podem estar associados ao câncer de intestino e devem ser investigados para afastar a possibilidade da doença”, alerta a médica da Oncoclínicas.

Como nem sempre a doença apresenta sinais claros no início, o rastreamento é essencial para garantir um diagnóstico precoce. “A ideia do rastreamento é permitir que tumores sejam detectados até em fase iniciais, quando o paciente não tem nenhuma suspeita da doença. Quando diagnosticado precocemente, a chance de cura pode ser superior a 90%”, afirma o oncologista Bruno Protásio, também da Oncoclínicas.

A importância da colonoscopia no rastreamento
O câncer colorretal, também chamado de câncer de intestino, engloba tumores que surgem no cólon (intestino grosso) e no reto. Em cerca de 90% dos casos, a doença se origina a partir de pólipos – pequenas lesões benignas que se formam na parede interna do órgão. A colonoscopia é o exame mais eficaz para diagnosticar e prevenir a doença, pois permite visualizar e remover pólipos antes que evoluam para um tumor maligno.

Esse exame endoscópico consiste na introdução de um tubo com uma câmera na extremidade, permitindo uma análise detalhada do intestino grosso. Para pessoas sem sintomas e sem fatores de risco, a recomendação é realizar a primeira colonoscopia entre os 45 e 50 anos, repetindo o exame a cada cinco ou dez anos, conforme orientação médica. Já aqueles com histórico familiar de câncer de intestino ou pólipos, bem como portadores de doenças inflamatórias intestinais, devem iniciar o rastreamento mais cedo. “Nesses casos, a data de início e a frequência do exame de colonoscopia devem ser discutidas com o seu médico”, orienta Eduardo Moraes.

Pesquisa brasileira traz novos dados sobre a doença
Uma pesquisa recente apontou que tumores colorretais localizados no lado direito do intestino apresentam um prognóstico pior em comparação com aqueles que surgem no lado esquerdo. O estudo, liderado pelo oncologista baiano Bruno Protásio, foi publicado no jornal científico Clinical Colorectal Cancer e no portal da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa foi realizada como parte de sua tese de doutorado no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP – USP) e contou com a participação de outros especialistas, como Tiago Biachi de Castria, Renato Natalino, Flávia R. Mangone, Daniel Fernandes Saragiotto, Jorge Sabbaga, Paulo M. Hoff e Roger Chamas.

“Fizemos o estudo com pacientes voluntários no Brasil e a conclusão veio consolidar um achado já visto através de pesquisas internacionais anteriores, só que agora com a população brasileira”, explica Protásio.

A análise, intitulada Impacto prognóstico da localização do tumor primário no câncer colorretal estádio III – evidências do mundo real de uma coorte brasileira, acompanhou mais de 250 pacientes diagnosticados com câncer de intestino grosso sem metástases. Os voluntários foram tratados com cirurgia seguida de quimioterapia complementar e monitorados por um período médio de cinco anos. Ao final da pesquisa, os especialistas identificaram que os pacientes com tumores localizados no lado direito do intestino (ceco, cólon direito e ângulo hepático) tiveram um prognóstico menos favorável do que aqueles com tumores no lado esquerdo (ângulo esplênico, cólon esquerdo, retossigmóide e reto alto).

“Isso reforça a necessidade de redobrar a atenção durante o acompanhamento oncológico destes pacientes com tumores de intestino localizados do lado direito”, destaca o pesquisador.

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