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Larissa Luz e Paulo Rogério Nunes dão início à programação da 6ª Festa Literária Arte e Identidade

 Larissa Luz e Paulo Rogério Nunes dão início à programação da 6ª Festa Literária Arte e Identidade

Foto: Júnior Assis

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Entre os dias 16 e 18 de setembro, o Pelourinho recebe a 6ª Festa Literária Arte e Identidade, que nesta edição propõe uma reflexão sobre como ancestralidade, memória e conhecimentos transmitidos entre gerações podem ajudar a projetar novos caminhos para o futuro. Com o tema “O Futuro é Ancestral – Arte e Literatura Afrofuturista”, o evento reúne literatura, música, dança, moda, teatro, cinema, artes visuais e tecnologia.

A programação tem início na tarde da quarta-feira (16), a partir das 13h30, com exposições, intervenções artísticas, atividades recreativas e outras ações culturais distribuídas entre quatro espaços principais e equipamentos parceiros. A abertura oficial acontece às 15h, com a mesa “Afrofuturismo: O futuro é Ancestral”, no Espaço Juventudes, localizado no Largo Quincas Berro D’Água.

O encontro terá a participação da multiartista baiana Larissa Luz e do publicitário, empreendedor e consultor em inovação e diversidade Paulo Rogério Nunes. A mediação será realizada pela educadora, pesquisadora e Mestra em Estudo de Linguagens Lindinalva Barbosa. A proposta é discutir o afrofuturismo e as formas de pensar o futuro tendo as referências ancestrais como base.

Cantora, atriz e apresentadora, Larissa Luz estará no evento como palestrante e levará para o debate experiências construídas em áreas como música, teatro, cinema e televisão. Sua trajetória é marcada pelo protagonismo negro e pelo empoderamento feminino.

Paulo Rogério Nunes, por sua vez, contribui com sua experiência como cofundador da Vale do Dendê e da AFRO.TV. Ele também é autor de livros relacionados a futuro e inovação e idealizador do Festival Afrofuturismo. O baiano já recebeu reconhecimento internacional, sendo apontado pela MIPAD como um dos afrodescendentes mais influentes do mundo e pela Rest of World como um dos 100 inovadores fora do Vale do Silício. Ele também foi o único brasileiro convidado a palestrar no primeiro evento internacional da Fundação Obama, em Chicago.

Para Paulo Rogério Nunes, refletir sobre o futuro também passa por ampliar os grupos que participam da criação desses novos cenários.

“Muitas pessoas falam de futuro como algo fatalista, desastroso para a humanidade, e a gente tem criado conversas e literatura, seja ficção, seja na área de tecnologia, voltadas para a construção de cenários, mostrando que o futuro é algo em disputa. Ele pode ser tanto distópico quanto utópico. Cabe a nós que estamos neste momento, no presente, definirmos as bases para esse futuro. Cada vez mais estamos percebendo que a volta ao passado, a ancestralidade, é necessária para a construção do futuro, então as matrizes afro-indígenas são super importantes para nos ensinar sobre como podemos deixar esse futuro um pouco mais justo, colaborativo e inclusivo”, afirma.

Escrita como forma de identidade

A programação também terá atividades voltadas ao público infantil. A proposta é estimular a criatividade e mostrar como a palavra pode funcionar como instrumento de identidade e protagonismo.

Na quinta-feira (17), às 10h50, o Espaço Infantil Brilho, no Largo Tereza Batista, recebe o “Sarau da Infância”. A atividade será comandada por Duda Santhana, de 11 anos, declamadora, atriz e modelo que tem ganhado destaque em saraus e festas literárias realizadas na Bahia.

A intervenção terá poesias autorais e referências do hip-hop e do slam, além de uma dinâmica que pretende incentivar as crianças a escrever, declamar e apresentar suas próprias produções ao público.

Para Duda Santhana, que representa uma nova geração de artistas periféricos, a poesia falada pode ser utilizada como meio de expressão, resistência e construção da identidade.

“A poesia é um espaço para você contar sobre a sua história e memória. É a partir desse momento que as pessoas escutam e sabem da sua identidade e sua resistência. A batalha de rima é o improviso, essa coisa de fazer na hora, pegando referências de pessoas que fizeram parte da nossa história, da cultura preta. A poesia também pode ser um espaço lúdico, onde você pode fantasiar tudo o que deseja e usar a imaginação, afinal, a escrita serve para isso”, comenta.

Dança, moda e ancestralidade

A relação entre corpo, memória, identidade e criação será outro destaque da festa literária. A roda de conversa “Corporeidades ancestrais e afrofuturos estéticos: Dança, Moda e Corpo” vai abordar como manifestações ligadas à dança, à moda e à estética podem recuperar heranças ancestrais e, simultaneamente, construir novas representações das vivências negras.

O encontro será realizado na sexta-feira (18), às 14h, no Espaço Juventudes, no Largo Quincas Berro D’Água. Participam da conversa Tatiana Campêlo, Linda Rosa Rodrigues, Rey Vilas Boas e Dete Lima. A mediação ficará por conta da escritora, poeta, educadora, coordenadora pedagógica e curadora Karla Daniella Brito.

Bailarina, coreógrafa, pesquisadora e diretora da Campêlo Cia de Dança, Tatiana Campêlo desenvolve trabalhos relacionados às danças de matrizes africanas e afro-brasileiras, além de pesquisas sobre corpo, memória e identidade.

Linda Rosa Rodrigues tem uma trajetória ligada ao Olodum desde a infância e é responsável pela criação de conceitos e figurinos do Bloco Olodum Mirim, unindo elementos da moda, história e identidade negra.

Fundador de uma marca de moda sustentável, Rey Vilas Boas utiliza resíduos têxteis em suas criações autorais e defende a moda circular e o consumo consciente. Já Dete Lima, estilista e artista visual vinculada ao Ilê Aiyê e ao Terreiro Acè Jitolu, tem a estética afro-brasileira e a espiritualidade como referências de seu trabalho. Ela também é responsável pela identidade estética e pela criação dos figurinos do bloco.

Rey Vilas Boas relata que encontrou na moda uma maneira de fortalecer o sentimento de pertencimento, expressar sua identidade e trabalhar a autoestima. Segundo ele, criar também significa atribuir novos significados aos materiais e às próprias experiências.

“Ressignificar um tecido é dar uma nova possibilidade a algo que seria descartado. E isso também pode acontecer com nossas ideias. Podemos mudar aquilo que pensamos sobre nós mesmos. Podemos transformar nossas histórias em potência. Você não precisa ser definido pelo lugar onde começou”.

O estilista também defende uma mudança na forma como os padrões estéticos são percebidos e destaca a importância da diversidade dos corpos negros.

“Precisamos questionar os padrões de beleza que recebemos, corpos pretos são diversos. Cabelos, peles, rostos, corpos e estilos também são formas de expressão. Não precisamos caber em uma única caixa estética. Roupa também conta histórias, a moda pode falar de território, memória, identidade e ancestralidade. Eu deixei de querer apenas consumir referências e passei a querer criar referências. Eu passei muito tempo procurando referências para acreditar que eu podia. Hoje, quero ser referência para que outros meninos e meninas entendam que também podem”, ressalta Rey Vilas Boas.

Espaços de cultura e memória

Durante os três dias de programação, o público poderá visitar quatro espaços fixos no Pelourinho, que terão atividades simultâneas e propostas direcionadas a diferentes públicos. São eles: Espaço Infantil Brilho, no Largo Tereza Batista; Espaço Juventudes, no Largo Quincas Berro D’Água; Espaço Empoderamento, na Casa Vale do Dendê; e Espaço Identidades, no Museu Eugênio Teixeira Leal.

A programação também ocupará equipamentos culturais parceiros, entre eles a Casa do Carnaval, Casa do Idoso, Casa do Olodum, Escola Olodum, Museu de Energia, Museu Solar Ferrão, SEPROMI – Unidade Móvel do Centro de Referência Nelson Mandela e Projeto Axé – Axébuzu.

A iniciativa busca ampliar o contato do público com diferentes manifestações relacionadas à cultura e à memória afro-brasileira. As atividades foram elaboradas especialmente para estimular sonhos e perspectivas entre crianças e jovens negros, indígenas e afro-indígenas, reunindo experiências de aprendizagem, cultura e empoderamento.

Com diferentes linguagens artísticas e conhecimentos em circulação, a festa pretende fortalecer a representatividade, ampliar perspectivas e incentivar crianças e jovens a ocuparem espaços de liberdade, criação e protagonismo.

A Festa Literária Arte e Identidade conta com apoio financeiro do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria de Cultura e da Secretaria da Fazenda.

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