14 de fevereiro de 2026
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Fliquinha aborda ancestralidade e autoestima das crianças em Cachoeira

 Fliquinha aborda ancestralidade e autoestima das crianças em Cachoeira

Foto: Divulgação

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Crescer conhecendo suas raízes é um passo essencial para que crianças desenvolvam confiança e construam o próprio futuro. Por isso, a Fliquinha, programação voltada ao público infantojuvenil dentro da Festa Literária Internacional de Cachoeira – FLICA, aposta em reflexões sobre ancestralidade e autoestima, incentivando os pequenos a se enxergarem como protagonistas de suas próprias histórias. Entre os dias 23 e 26 de outubro, a 13ª edição do evento convida as novas gerações a se afastarem das telas e participarem de atividades presenciais, lúdicas e criativas que resgatam a magia da literatura, da poesia, do teatro, da música e da contação de histórias, sempre com sensibilidade no tratamento de temas essenciais.

Um dos destaques da Fliquinha é justamente a valorização das narrativas ancestrais por meio das contações de histórias. Na quinta-feira (23), a escritora Jaqueline Santana – autora de livros quilombolas afro-indígenas, pedagoga e doutora em Antropologia Social – se une à contadora Terezinha Passos, com mediação de Cássia Valle, para apresentar o livro “Maria e a Sereia”, que traz uma aventura ligada à ancestralidade cachoeirana.

Já na sexta-feira (24), o público poderá acompanhar a leitura do livro “Oxalá, o grande pai que olha por todos” e do conto nigeriano “Katendê e o Novo Rei”, com a mestra griô Vovó Cici de Oxalá e o contador Mário Omar, pesquisador da tradição oral afro-brasileira e da Oratura Bantu.

“É uma realização muito grande para qualquer escritor ou escritora ser convidado para a FLICA. Com o meu livro, eu, Terezinha e Cássia queremos transmitir o orgulho dessa identidade cachoeirana e da importância cultural da cidade. Falar sobre ancestralidade é ensinar valores, transmitir e preservar tradições. No meu trabalho como educadora patrimonial, eu busco registrar as histórias dos antepassados, dos quilombos, desde as materialidades até as histórias míticas encantadas, que realmente interessam às crianças. Tudo isso é importante para a composição da identidade delas como sujeito e para a preservação do patrimônio de um legado da comunidade”, comenta Jaqueline Santana.

Segundo Mário Omar, a proposta de sua mesa com Vovó Cici é oferecer às crianças – negras e não negras – referências positivas de negritude, estimulando a construção de identidades que respeitem e valorizem a diversidade étnico-racial. Para ele, a oralidade é uma ferramenta de transformação social.

“Eu acredito muito no que chamamos de educação ancestral. É na história ancestral que a criança reconhece o que ela sente no meio do mundo, é o que dá subsídio para a criança existir como pessoa”, afirma.

Infância e autoestima em foco

No sábado (25), a escritora Maíra Azevedo (Tia Má) apresenta seu primeiro livro infantil, “A menina que não sabia que era bonita”, que acompanha a trajetória de uma menina negra em busca de aceitação e autoestima. Para ela, a literatura é uma ferramenta essencial na formação identitária.

“A gente é educado também a partir do que a gente consome. Então, livros que representam a gente de uma forma positiva, colabora diretamente para a construção desse amor próprio. A mensagem que eu quero passar para as crianças na Fliquinha é falar do processo de construção da autoestima, de como a gente descobre as nossas belezas. Eu gosto sempre de falar belezas no plural, porque está para além da aparência, a beleza está também no conhecimento, na construção da nossa identidade e em reconhecer a nossa ancestralidade”, explica.

Ela ressalta ainda que sua mesa literária também é um convite para os adultos:

“O meu livro é uma forma de convocar pessoas adultas a fazerem as pazes com as crianças que foram, que não sabiam que eram bonitas, mas que hoje têm certeza das potências que são”.

No mesmo dia, a mesa “Infância, a semente das histórias” reunirá o jornalista Vanderson Nascimento (TV Bahia), a professora e escritora Ana Fátima e seu filho, o autor mirim Maurício Akin, de 10 anos, já com três livros publicados.

A curadora da Fliquinha, Emília Nuñez, destaca a diversidade e a força simbólica dos encontros:

“A mesa de Vanderson, Ana Fátima e Akin vai ser bem bonita, porque reúne três personalidades negras, uma criança, um homem e uma mulher que trazem destaque social e se orgulham de suas raízes. Jaqueline Santana também tem um trabalho super alinhado com a ancestralidade e vai abordar uma história que começa em um quilombo de Cachoeira, fortalecendo a conexão com o território local do evento. Tia Má apresentará um livro que lembra suas memórias de infância e fala de uma menina preta que vai descobrir que tem valor, que é amada e se ama. Já o encontro de Mário Omar e Vovó Cici proporciona o contraste entre um jovem contador de histórias e uma anciã experiente, considerada uma das maiores contadoras de história do Brasil”.

Programação diversificada

Além desses encontros, a Fliquinha contará com outras participações importantes: Ivan Zigg, com o espetáculo interativo “Ler é um espetáculo”; Roseana Murray, que falará sobre o livro “O braço mágico”; Tino Freitas, com a apresentação musical literária “Quem quer brincar comigo?”; Maira Lins, em monólogo inspirado na obra “A Mulher que Matou os Peixes” de Clarice Lispector; Marcos Cajé e o duo Mariar (Nataliny Santos e Emillie Lapa), com “Imani e outras histórias afrofantásticas”; além do escritor cachoeirano Marcelo Souza, que lança o livro “Chuva, chuva vai embora”, abordando a preservação ambiental.

Acessibilidade e inclusão

Todas as atividades têm classificação etária livre e acessibilidade garantida, com rampas, banheiros adaptados e intérpretes de libras em palcos e tendas. Para mesas com autores estrangeiros, serão oferecidos fones de ouvido com tradução simultânea, incluindo recursos para deficientes visuais.

Realização

A 13ª edição da FLICA conta com patrocínio do Governo do Estado, por meio do FazCultura, SecultBA, Sefaz, Caixa e Governo Federal. Integra o Projeto Bahia Literária, da Fundação Pedro Calmon (FPC) e da Secretaria de Educação (SEC). Tem apoio da Embasa, realização da Schommer Produções, em parceria com a Prefeitura de Cachoeira e a livraria LDM.

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