FLEPITI finaliza atividades com foco em pertencimento e saberes indígenas em Paulo Afonso
Foto: Danilo Costa
Com uma agenda diversa e voltada à valorização da memória, ancestralidade e identidade dos povos indígenas, chegou ao fim nesta terça-feira (21), em Paulo Afonso, a 1ª edição da Festa Literária Estudantil dos Povos Indígenas do Território de Itaparica (FLEPITI). O evento foi sediado no CETIPA – Centro Territorial de Educação Profissional da Bacia do Rio São Francisco, reunindo durante três dias estudantes, professores, lideranças indígenas e artistas em atividades que celebraram os saberes tradicionais e a cultura dos povos originários.
A Fundação Pedro Calmon (FPC), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), participou com ações voltadas ao incentivo à leitura e à difusão do conhecimento. Entre elas, estiveram o programa Leve e Leia, que realiza quiz literário entre alunos com premiação em livros, e a BIBEX, biblioteca de extensão da FPC, que promove contação de histórias, atividades interativas e acesso à leitura em diversas regiões da Bahia.
“Estar presente na FLEPITI é uma forma de reconhecer e valorizar os saberes dos povos indígenas do nosso estado. A Fundação Pedro Calmon tem o compromisso com a preservação da memória, o incentivo à leitura e o fortalecimento da identidade cultural. Em cada território onde estamos, reafirmamos o papel da cultura como instrumento de transformação e pertencimento”, afirmou Sandro Magalhães, diretor-geral da Fundação Pedro Calmon.
A programação do último dia foi marcada pela mesa “Educação e Cultura Indígenas: A Fluidez e a Fruição de Saberes”, que contou com Thaira Tuxa e Elaine Truka, sob mediação de Telma Cruz. A manhã também trouxe a Mostra Audiovisual com os filmes Raízes a Olho Nu, de Lorena Pankararu, e Estamos Vivos e Atentos, de Edilene Papyáyá. Além disso, oficinas de Saúde Indígena e Escrita Criativa Indígena, conduzidas por Zulmira Correia, proporcionaram reflexões sobre práticas educativas e cuidados ancestrais.
Durante a tarde, foi lançado o Catálogo de Mapeamento dos Povos Indígenas do Território de Itaparica. A programação também incluiu apresentações culturais como o teatro Mamulengos da Caatinga, a exposição fotográfica “Olhares Indígenas” – feita por jovens estudantes –, além da palestra “Jovens que Transformam: Educação e Empreendedorismo com Propósito”, ministrada por Mari Helena Gomes. O evento se encerrou com a mesa “As Águas Passam, As Aldeias Ficam”, com Cristino Wapichana e Edson Kayapó, e o show da cantora Kae Guajajara, um dos grandes nomes da música indígena contemporânea.
Para o professor Silvano Wanderlei, do CETIPA, a FLEPITI representa um espaço de aprendizado e valorização cultural. “Eventos como esse fomentam a educação e promovem nossas raízes indígenas e africanas. A FLEPITI fala de identidade, pertencimento, memória e formação dos jovens. Esse resgate é necessário tanto nas questões africanas quanto indígenas do Brasil. A Bahia tem essa expertise em realizar eventos importantes que envolvem alunos e a comunidade, mostrando a verdadeira identidade brasileira. E o Governo do Estado, com o olhar atento do governador Jerônimo Rodrigues, tem promovido ações que reforçam valores e pertencimento do povo baiano.”
A realização da FLEPITI contou com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Educação e da Secretaria de Cultura, via Fundação Pedro Calmon, sendo contemplada pelo Edital de Apoio às Festas, Feiras e Festivais Literários, do Programa Bahia Literária. A proposta reforça o compromisso das políticas públicas com a valorização da diversidade, o protagonismo estudantil e a preservação das identidades indígenas no estado.