Festival Baiano de Cafés acontece neste fim de semana com público recorde e ingressos do primeiro dia esgotados
Foto: Cosca 71
Salvador será palco de um fim de semana dedicado aos cafés especiais. A 4ª edição do Festival Baiano de Cafés acontece nos dias 15 e 16 de agosto, no Trapiche Barnabé, e já registra números expressivos. Os ingressos para o sábado (15) estão esgotados, enquanto as vendas antecipadas pelo Sympla já alcançaram o dobro do público registrado em 2025, estabelecendo um novo recorde para o evento.
Quem pretende participar no domingo (16) ainda pode adquirir ingressos do terceiro lote. Os últimos tickets vendidos antecipadamente custam R$ 55. Após o encerramento das vendas online, haverá comercialização na entrada do evento nos dois dias, pelo valor de R$ 70, condicionada à capacidade do espaço.
Organizado pela Xodó Cafés Especiais e pela Rede Amo, o festival chega à edição de 2026 como uma das principais iniciativas de valorização dos cafés de qualidade produzidos na Bahia.
Torra de café ao vivo
Entre as novidades deste ano está o Espaço de Torra ao Vivo, criado em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) e a Kaleido, especializada na fabricação de torradores elétricos.
A proposta é permitir que os visitantes acompanhem de perto todas as etapas da transformação do café verde em grãos torrados. O processo será realizado por nano e microtorrefadores, profissionais que ocupam uma posição próxima à origem do produto dentro da cadeia dos cafés especiais.
A iniciativa pretende aproximar o consumidor das etapas que antecedem a preparação da bebida e, consequentemente, das pessoas envolvidas na produção.
Especialista em cafés especiais, fundadora do CoffeeLab e uma das palestrantes do festival, Isabela Raposeiras explica a diferença entre os produtos: “o que diferencia basicamente o café especial do tradicional é a qualidade da matéria-prima e isso repercute no sabor que o café vai ter”.
Mulheres ganham destaque na cadeia produtiva
O papel das mulheres também será um dos principais temas da edição deste ano. Em referência ao Ano Internacional da Mulher Agricultora, instituído pela ONU para 2026, o festival pretende destacar profissionais que participam de diferentes fases da cadeia do café, desde o cultivo e a torra até a pesquisa, gastronomia e cultura.
Entre as participantes confirmadas estão Ana Cristina, produtora da Fazenda Ouro Verde, em Barra do Choça; Isabela Raposeiras, fundadora do CoffeeLab; Maria Midlej Bastos, pesquisadora; Kelly Stein, jornalista; Mari Mesquita, barista e bartender; e Ju Morgado, campeã brasileira de Brewers Cup 2026.
De acordo com Brenda Matos, especialista em Cafés de Qualidade e responsável pela organização do festival, valorizar essas profissionais significa também reconhecer a participação histórica das mulheres no setor.
“As mulheres sempre tiveram papel essencial na cadeia produtiva do café”, afirmou Brenda. “Quando falamos em agricultura familiar, cultivo da lavoura e comunidade do café, elas estão imersas nesses processos desde sempre, mas muitas vezes de uma forma invisível para quem está observando de fora”.
Ana Cristina, produtora da Fazenda Ouro Verde e responsável pelo café oficial do evento, também defende uma maior participação feminina e a criação de iniciativas que contribuam para essa realidade no meio rural.
“A mulher pode ser protagonista em qualquer área”, afirma. Segundo ela, o setor agrícola ainda enfrenta obstáculos históricos para as mulheres, que precisam ser combatidos. “É preciso que o poder público facilite as coisas para nós, mulheres, criando políticas públicas para mulheres rurais”, defende.
Festival reúne produtores e experiências
Além da degustação de cafés especiais, o evento pretende apresentar ao público toda a cadeia envolvida na produção e comercialização da bebida.
Ao longo dos dois dias, a programação contará com palestras, oficinas, degustações, harmonizações e rodas de conversa. O público também poderá conhecer produtores, torrefadores, cafeterias e marcas de diversas regiões da Bahia e de outros estados brasileiros.
A programação inclui ainda apresentações musicais e experiências gastronômicas, unindo o universo dos cafés à cultura e à economia criativa.
Para Isabela Raposeiras, aproximar o consumidor desse universo é importante, principalmente porque o café especial ainda não é conhecido por grande parte das pessoas. “É um produto extremamente complexo”, observa.
É justamente essa diversidade que o Festival Baiano de Cafés pretende apresentar aos visitantes: os territórios onde os grãos são produzidos, as pessoas envolvidas na cadeia, os conhecimentos adquiridos, o trabalho e a cultura que existem por trás de cada xícara.