Evento “Teatro para Todos” leva programação gratuita ao Campo Grande neste fim de semana em Salvador
Foto: Igor Cerqueira
Após passar por Feira de Santana, o projeto Teatro para Todos chega a Salvador com uma programação gratuita de espetáculos entre os dias 27 e 29 de março, na Praça Dois de Julho, no Campo Grande. A ação faz parte das comemorações do Mês do Teatro, celebrado em 27 de março com o Dia Internacional do Teatro, e tem como proposta aproximar o público das artes cênicas em um espaço aberto e acessível.
A mostra reúne produções da cena contemporânea, incluindo montagens premiadas e reconhecidas por público e crítica. Entre elas estão Buraquinhos ou O Vento é Inimigo do Picumã, destaque no Prêmio Shell e no Prêmio APCA, e Candomblé da Barroquinha, vencedora como Melhor Direção no Troféu Bahia Aplaude.
Outro destaque da programação é Namíbia, Não!, considerada uma das obras mais relevantes do teatro baiano, em cartaz há mais de 15 anos e que inspirou o filme Medida Provisória. Pela primeira vez, o espetáculo será apresentado em espaço aberto. Para o público infantojuvenil, a agenda inclui Infinito, Mundo das Minhas Palavras e Dandara na Terra dos Palmares, ambas premiadas como Melhor Espetáculo Infantil no Troféu Bahia Aplaude/Prêmio Braskem de Teatro, sendo esta última também um sucesso de público.
A curadoria é assinada pela atriz, pesquisadora e dramaturga Mônica Santana, que buscou selecionar obras com potencial de diálogo com diferentes públicos. “Apostamos na força de um teatro que diverte, provoca riso e emoção, mas também instiga o pensamento e o desejo de transformação. São obras capazes de dialogar com diferentes idades e trajetórias, especialmente com quem não tem o hábito de ir ao teatro”, explica.
O Teatro para Todos conta ainda com patrocínio da Larco Petróleo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. “A Larco tem orgulho de apoiar iniciativas que ampliam o acesso à cultura e fortalecem a cena artística da Bahia. Como empresa baiana, entendemos que investir em projetos culturais também é contribuir para o desenvolvimento social do estado”, afirma a diretora de Marketing da empresa, Ana Paula Evangelista.
Programação em Salvador – Praça Dois de Julho (Campo Grande)
27 de março (sexta-feira)
19h – Buraquinhos ou o vento é inimigo do picumã
A peça acompanha a trajetória de um menino negro, nascido e criado em Guaianases, na zona leste de São Paulo, que ao sair de casa para comprar pão no primeiro dia do ano sofre uma abordagem policial. A partir desse episódio, inicia-se uma jornada de sobrevivência que atravessa países da América Latina e da África. Com elementos de realismo fantástico, o espetáculo denuncia o genocídio da população negra.
28 de março (sábado)
15h – Dandara na Terra dos Palmares
Voltado ao público infantojuvenil, o espetáculo revisita a história ancestral a partir do princípio da Sankofa, refletindo sobre resistência, identidade e pertencimento. A trama acompanha Dandara, uma menina negra que enfrenta o racismo na escola e, marcada pela experiência, passa a rejeitar seu próprio nome e suas origens — até iniciar um processo de reconexão com sua ancestralidade.
19h – Namíbia, Não!
A obra apresenta um Brasil distópico em que uma medida provisória determina que todos os cidadãos com ascendência africana sejam enviados de volta ao continente africano para “corrigir” o erro histórico da escravidão. A narrativa acompanha os advogados André e Antônio diante dessa realidade absurda, provocando reflexões sobre racismo, identidade e pertencimento.
29 de março (domingo)
15h – Infinito
Espetáculo infantojuvenil que mistura teatro e dança para contar a história de Tayó, um menino profundamente ligado à sua avó. Após a partida dela, o personagem inicia uma travessia interior marcada por memórias, ancestralidade e descoberta, refletindo sobre vida, morte e transformação.
18h – Candomblé da Barroquinha
A peça acompanha Marcelina, uma jovem abiã que cresce participando das festas da roça e vive um dia de descobertas que revelam seu papel na preservação cultural e espiritual de sua comunidade. A narrativa transporta o público para o cotidiano do fictício Terreiro da Barroquinha e para a história do território simbólico onde o Candomblé floresceu na Bahia.
Sobre o projeto
O Teatro para Todos é uma iniciativa voltada à democratização do acesso às artes cênicas, levando apresentações gratuitas a espaços públicos e aproximando artistas e espectadores. O projeto valoriza a diversidade do teatro brasileiro e busca oferecer experiências culturais acessíveis a diferentes públicos.