Estátua de Moraes Moreira é inaugurada na Praça Castro Alves, e Salvador lança agenda comemorativa pelos 40 anos da Fundação Gregório de Mattos
Foto: Acervo Secom PMS e Divulgação
O legado do cantor e compositor Moraes Moreira passará a ter um símbolo permanente na Praça Castro Alves, um dos espaços mais emblemáticos do Carnaval da capital baiana. A partir desta quinta-feira (12), a Prefeitura de Salvador inaugura no local uma estátua em homenagem ao artista, que morreu em 2020. A iniciativa integra as celebrações pelos 40 anos da Fundação Gregório de Mattos (FGM), órgão responsável pela política cultural de Salvador.
A solenidade de inauguração está marcada para as 17h e dará início a uma noite de atividades culturais, que também marca o lançamento oficial da programação comemorativa da fundação. Ao longo de todo o ano, a FGM pretende promover ações voltadas ao incentivo à produção artística, à ocupação de espaços culturais e à ampliação do acesso do público às diferentes linguagens da arte. O evento contará com a participação da vice-prefeita e secretária municipal de Cultura e Turismo, Ana Paula Matos, além do presidente da FGM, Fernando Guerreiro, e outras autoridades.
Encerrando a programação da noite, o músico Davi Moraes, filho de Moraes Moreira, fará um show especial em tributo ao pai. O artista foi um dos nomes mais marcantes da música brasileira e teve papel fundamental na transformação do Carnaval de Salvador, contribuindo para consolidar o trio elétrico como um dos grandes símbolos da cultura baiana. A apresentação acontecerá no terraço do Cine Glauber Rocha, com vista para a Baía de Todos-os-Santos.
A programação inclui ainda um cortejo do bloco ‘Moraes e Moreira’, que sairá da Praça Castro Alves em direção ao Teatro Gregório de Mattos. No local, será inaugurada a exposição ‘FGM 40+’. Durante a mesma cerimônia, também será lançada uma revista comemorativa dos 40 anos da fundação, reunindo entrevistas com personalidades como Gilberto Gil e Mário Kertész, que foi o primeiro presidente da instituição. A programação contará ainda com uma apresentação da cantora Andrezza Santos.
Para expressar a emoção de participar da homenagem ao pai, Davi Moraes optou por não fazer uma declaração convencional. Em vez disso, escolheu escrever um poema que reúne lembranças, referências culturais e elementos que marcaram a trajetória de Moraes Moreira e também influenciaram sua própria formação artística.
“Eletrizou o Afoxé / Boca de alto-falante / Na alma dos Filhos de Gandhy, no Terreiro de Jesus / Das seis cordas, o aço / Me fiz forte no abraço / Da guitarra, uma cruz / Nada foi por acaso / Em outro plano me via / Ano a ano juntando / Os novos Afros Baianos e a magia / E a magia era o som da alegria”, diz Davi em um dos trechos.
Quatro décadas de atuação cultural
O presidente da FGM, Fernando Guerreiro, ressaltou que a celebração dos 40 anos da instituição simboliza um processo contínuo de construção da política cultural da cidade ao longo das últimas quatro décadas.
“São quatro décadas de um trabalho construído passo a passo, no sentido de estruturar uma política cultural para a cidade de Salvador. A comemoração homenageia gestores, artistas e equipes, mas também traz uma leitura voltada para o futuro: a cultura, a gestão cultural, não pode parar nunca”, comentou.
Segundo Guerreiro, a escolha de homenagear Moraes Moreira naquele espaço também tem um forte significado simbólico, já que o artista ajudou a transformar a praça em um dos principais palcos do Carnaval soteropolitano.“Foi ali que ele consolidou a Praça Castro Alves como um dos grandes palcos do Carnaval, tornando-se um dos principais responsáveis por fortalecer a tradição musical ligada ao local. Nada mais justo, portanto, do que realizar essa homenagem justamente na praça, onde ele passa a ser, de forma simbólica, quase como o ‘síndico’ do espaço”, completou o presidente da FGM.
Trajetória e legado
A escultura de Moraes Moreira foi criada pelo artista plástico Roberto Manga e ficará instalada em frente ao Hotel Fasano Salvador. A ligação do músico com a Praça Castro Alves está diretamente associada à importância do local para o Carnaval de Salvador, onde ele participou de inúmeras apresentações e encontros musicais ao longo da carreira.
Natural de Ituaçu, no sudoeste do estado, o artista nasceu com o nome de Antônio Carlos Moraes Pires. Sua trajetória musical começou aos 19 anos, quando passou a viver em Salvador e ingressou no Seminário de Música da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Foi na universidade que conheceu músicos como Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, com quem fundou, na década de 1970, o grupo Novos Baianos, responsável por sucessos como “Mistério do Planeta” e “A Menina Dança”.
Em carreira solo, Moraes também marcou a história do Carnaval ao se tornar, em 1976, o primeiro cantor a se apresentar em cima de um trio elétrico, ao lado de Dodô e Osmar Macedo. Desse período surgiram músicas que se tornaram clássicos da folia, como “Vassourinha Elétrica” e “Pombo Correio”.
O artista morreu em abril de 2020, aos 72 anos, em seu apartamento no Rio de Janeiro, vítima de um infarto agudo do miocárdio. Sua obra permanece como uma das mais importantes contribuições para a música popular brasileira e para a história do Carnaval de Salvador.