Especialistas mulheres da área da saúde destacam importância dos cuidados no trânsito durante painel
Foto: Divulgação FENASDETRAN
Com a predominância de mulheres atuando nas áreas de saúde, assistência, cuidado e prevenção, o primeiro painel do 13º Congresso Brasileiro de Trânsito e Vida (CBTV) e 9º Congresso Internacional de Trânsito e Vida (CITV) contou com uma mesa composta por especialistas em temas relacionados à saúde e segurança viária. Realizado nesta quinta-feira (23), o debate teve como tema “Desafios da morbimortalidade no trânsito no Brasil: a perspectiva do setor de saúde” e reuniu Letícia Cardoso, diretora do Departamento de Análise Epidemiológica e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DAENTE) da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA); Vera Lúcia Silva de Souza, vice-presidente da Associação Bahiana das Clínicas de Trânsito (ABCTRAN); e Márcia São Pedro Leal, diretora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).
Durante sua exposição, Letícia Cardoso apresentou dados relevantes sobre mortalidade no trânsito e destacou a importância do trabalho de vigilância dos óbitos provocados por lesões viárias no país.“Estamos observando que, a partir do ano de 2020, houve uma estabilização e recentemente um aumento no país, chegando a 35 mil óbitos, e o modal que mais contribui para estas ocorrências são os motociclistas”, revela.
A diretora também ressaltou que regiões como o Centro-Oeste, Norte e Nordeste registram taxas elevadas de mortalidade, enquanto grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte apresentam números absolutos expressivos de lesões no trânsito.“A prevenção é o melhor remédio e políticas que visem a prevenção intersetorial, mobilizando diversos atores – como os envolvidos na fiscalização, mobilidade urbana, educação, saúde e formação no trânsito – são as mais efetivas para evitar internações, custos com a saúde, sequelas para famílias e condutores, além dos impactos sociais e econômicos envolvidos”, completa.
Considerando que o trânsito é um problema de saúde pública, influenciado por múltiplos fatores, a diretora de Vigilância Epidemiológica da Sesab, Márcia São Pedro Leal, reforçou a importância de estratégias que aliem prevenção, educação e sustentabilidade, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).“É um momento de discussão em que o setor saúde traz dados coletados, transformando-os em informação e medidas de prevenção no trânsito. Hoje sabemos que o trânsito é um problema de saúde pública: temos altos números de óbitos e internações, e precisamos criar medidas que sejam efetivas e gerem transformação para a população”, diz.
A vice-presidente da ABCTRAN, Vera Lúcia Silva, também destacou a necessidade de responsabilidade individual e coletiva nas vias.“Nosso objetivo é colocar pessoas estáveis e responsáveis no trânsito. Porém, no cotidiano, as pessoas esquecem e precisam ter conscientização e responsabilidade com a própria vida e também com a vida do outro. Um ato displicente pode fazer com que alguém que você nunca viu perca a vida no asfalto por uma atitude inconsequente e irresponsável”, finaliza.