Em conversa com Trump, Lula defende mudanças no Conselho da Paz
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone, na manhã desta segunda-feira (26), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante o diálogo, Lula sugeriu a inclusão de um assento destinado à Palestina no Conselho da Paz, órgão idealizado, criado e presidido pelo líder norte-americano. O presidente brasileiro também propôs que o colegiado restringisse suas discussões a temas relacionados à Faixa de Gaza.
Segundo informações da Agência Brasil, o conteúdo da conversa foi divulgado pelo Palácio do Planalto por meio de nota oficial. De acordo com o comunicado, Lula também enfatizou a necessidade de uma reforma ampla na Organização das Nações Unidas (ONU), defendendo a ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança.
Embora tenha sido convidado a integrar o Conselho da Paz, Lula ainda não respondeu formalmente ao convite. Na semana anterior, durante um evento em Salvador, o presidente chegou a fazer críticas à criação do colegiado. Na avaliação dele, Trump pretende criar uma nova ONU para exercer controle sobre a organização.
Venezuela
Durante a ligação, Lula e Trump também abordaram temas relacionados à Venezuela. O presidente brasileiro reforçou sua posição já manifestada anteriormente, destacando a importância da manutenção da paz no continente.
Além disso, Lula voltou a defender o fortalecimento da cooperação entre Brasil e Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado.
“Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano”, afirmou o Planalto.
Economia
Segundo o Palácio do Planalto, a conversa também incluiu temas relacionados ao fortalecimento das relações bilaterais e aos impactos positivos dessa aproximação na economia.
“O presidente Trump afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo. Ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros”.
Lula e Trump tiveram o primeiro encontro presencial durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York. Na ocasião, o contato foi breve, mas o presidente norte-americano declarou ter tido uma “química excelente” com o brasileiro.
Os dois voltaram a se reunir em outubro, durante a 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), realizada na Malásia. Diferentemente do encontro anterior, houve uma reunião mais longa, classificada como “muito positiva” pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. No mês seguinte, os Estados Unidos anunciaram a retirada da sobretaxa de 40% aplicada a diversos produtos brasileiros.
Visita aos EUA
Ao final da conversa, que teve duração aproximada de 50 minutos, ficou acertada uma visita de Lula aos Estados Unidos. A data ainda não foi definida, mas a viagem deve acontecer após os compromissos do presidente brasileiro na Índia e na Coreia do Sul, previstos para fevereiro.