Eduardo Bolsonaro afirma ter sido alvo de xingamentos e troca número de celular após vazamento de contato
Foto: REUTERS/Jessica Koscielniak
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou nesta segunda-feira (25) que precisou trocar o número de seu celular após ter o contato exposto. De acordo com ele, desde então passou a ser alvo de insultos.
Na última quarta-feira (20), a Polícia Federal indiciou tanto o parlamentar quanto o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sob acusação de coagir autoridades ligadas ao processo sobre a tentativa de golpe de Estado.
“No mesmo dia que foi publicado o relatório da @policiafederal com o meu indiciamento, COINCIDENTEMENTE, vazaram meu número de celular. Entre insultos e chacotas que passei a receber, comunico que mudei meu número”, escreveu no X.
O filho “03” do ex-presidente também divulgou capturas de tela que mostram mensagens enviadas por desconhecidos com ofensas como “golpista” e “banana”.
Indiciamento
De acordo com a PF, Eduardo e Jair Bolsonaro tentaram interferir no processo que investiga a tentativa de golpe, no qual o ex-presidente é réu.
A corporação apontou ainda indícios de que ambos praticaram o crime de tentativa de abolição do Estado democrático de direito, já que suas condutas “buscam atingir diretamente instituições democráticas brasileiras, notadamente o Supremo Tribunal Federal e, até mesmo, o Congresso Nacional Brasileiro”.
A apuração teve como base conversas encontradas em um celular apreendido com Jair Bolsonaro. Segundo o relatório, o material mostra que o ex-presidente realizou “intensa produção e propagação de mensagens destinadas às redes sociais, em afronta à medida cautelar anteriormente imposta”.
No documento, a PF destacou que foram recuperados do aparelho áudios e conversas apagadas entre Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia.
Esses registros, segundo os investigadores, reforçam a tentativa de organizar estratégias para intimidar autoridades brasileiras e prejudicar as investigações sobre a trama golpista.
“As mensagens demonstram que as sanções articuladas dolosamente pelos investigados foram direcionadas para coagir autoridades judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF)”, afirmou a PF.