Documentário da Bahia evidencia o papel econômico das folhas sagradas no PANAFRO FEMADUM 2025
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O documentário “Jornada das Folhas” será exibido no dia 13 de novembro, às 19h, no Museu Eugênio Teixeira Leal, durante o Cineclube Olodum, como parte da programação do PANAFRO FEMADUM 2025, em Salvador. Dirigido por Ravena Maia e Emerson Kilendo, o filme explora a economia que se desenvolve em torno da coleta e da venda das folhas sagradas, essenciais para os rituais das comunidades de terreiro.
A produção acompanha mulheres do Oiteiro, em Simões Filho, que tiram seu sustento da colheita e comercialização das folhas em feiras populares da capital baiana, como o Mercado das Sete Portas e a Feira de São Joaquim. O longa retrata o cotidiano dessas trabalhadoras, em sua maioria chefes de família, que preservam saberes ancestrais mesmo diante da precariedade e da baixa valorização de seu trabalho.
De acordo com Ravena Maia, o processo de realização inspirou a equipe a refletir sobre maneiras de fortalecer essa atividade, inclusive por meio da criação de uma cooperativa. “É um trabalho de grande importância, mas marcado por riscos e desvalorização. Queremos contribuir para fortalecer essa atividade, que também é um exercício de autonomia e de conexão com a natureza”, afirma a diretora.
O codiretor Emerson Kilendo ressalta que o filme também representa um gesto de reconhecimento. “Meu avô, que é tata kambondo, participa do documentário. Ele me ensinou muito sobre as folhas. Queremos que essas pessoas sejam vistas e valorizadas, tanto simbolicamente quanto financeiramente”, declara.
Com roteiro e pesquisa de Carla Pita e produção de Tailson Souza, o documentário faz parte da série “Economia do Sagrado”, que investiga as cadeias produtivas ligadas aos terreiros – das folhas aos trajes, cerâmicas e objetos rituais. A exibição tem apoio da DIMAS/FUNCEB, e o projeto foi contemplado pelos Editais Paulo Gustavo Bahia, com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura e do Governo do Estado da Bahia.
“Jornada das Folhas” soma-se à proposta do FEMADUM 2025, que homenageia Chiquinha Gonzaga e Tia Ciata sob o tema “Celebrando a Mulher Negra na Música Brasileira”. O festival reúne atividades formativas, oficinas, debates, mostras literárias e cinematográficas, além de apresentações artísticas entre novembro e dezembro, no Pelourinho.