Documentário “A Cor da Nossa História” é exibido no Museu Eugênio Teixeira Leal, no Pelourinho
Foto: Igor Negreiros
Vozes negras que relatam sobre sua trajetória, mostrando a realidade em que viveram e onde chegaram até hoje. E é isso que mostra o documentário A Cor da Nossa História, exibido nesta segunda-feira (24), no Cineteatro Góes Calmom, situado no Museu Eugênio Teixeira Leal, no Pelourinho, em Salvador.
Realizado pelo diretor Anderson Silva, que também é idealizador do projeto Museu Vivo da Cidade, o longa reúne depoimentos de pessoas negras que falam sobre suas vivências profissionais e sociais, que foram: a atriz Cássia Valle, o jornalista Clarindo Silva, a fotógrafa Márcia Reimão, Érica Pereira, Cássio Jonatas e Caíque Silva.
“A intenção inicialmente era pegar alguns depoimentos para colocar no Youtube, no canal do Museu Vivo com o objetivo de homenagear o Dia da Consciência Negra. Quando comecei a pegar esses depoimentos, eu vi que as histórias eram muito ricas, cada um com sua história de vida, então eu imaginei que não pode pegar apenas pequenos depoimentos, e sim um documentário maior, de 41 minutos pelo menos, e onde as pessoas possam ver essas vivências, essas histórias”, disse o diretor Anderson, em entrevista ao solnascentenews.
“São seis depoimentos, então são seis vozes, cada um sua história de vida. Cássia Valle, por exemplo, ela fala do teatro, das bonecas negras que ela tem exposição; Clarindo Silva que a sua missão de vida é a proteção do patrimônio histórico, ele conta como ele chegou aqui no Pelourinho, como ele se encantou por esse local; A Márcia que fala quando perdeu a mãe dele quando ela tinha cinco anos, que ela encontrou uma família que cuidou dela muito bem; Tem um menino chamado Caíque, que ele fala quando ele perdeu a mãe e a avó, então o sonho dele é se formar pela mãe e pela avó; E também tem a Érica Pereira, que vêm de um bairro periférico, diferente do que o bairro oferecia, ela procurou não seguir aquela linha, então ela entra na faculdade de Comunicação, e ela tem a luta dela diária para pagar essa faculdade”, explica o diretor.
Com as gravações ocorridas em Salvador, especificamente no Pelourinho, Anderson afirma que teve dificulcade em produzir o documentário, pois não tinha patrocínios. “O que foi de difícil, é que é um documentário feito sem financiamento, não tem patrocínio, então não se pode ter uma equipe de audiovisual, de som. Então essa é a maior dificuldade que eu tive. E depois, o que demorou mais foram as edições, que durou mais de duas semanas”.
Márcia Reimão, que esteve no longa, onde deu seu depoimento, diz que ficou bastante emocionada: “Quando Anderson, o diretor, veio até mim falar sobre esse projeto, eu fiquei mexida, porque mexe comigo, com minha história, com minhas raízes, com minhas ideias, eu falei assim: ‘Anderson, vambora!’, porque eu acho que muitas pessoas precisam entender, precisam conhecer também, e relembrar suas histórias, suas raízes, como tudo começou, sua base”.
“Emocionalmente, é muito impacto para mim, estou falando aqui, mas por dentro, só Deus sabe como eu estou, desde quando começou o meu depoimento, mexeu com minha base, mexeu com o começo da minha história, da minha vida, da minha infância. Então foi muito emocionalmente, e está sendo muito emocionante, porque é forte, do meu passado”, diz a fotógrafa.
Eliane Dourado, diretora do Museu Eugênio Teixeira Leal, exclama agradecida, pelo documenário exibido no espaço: “O que mais me alegra nesse documentário, tantas pessoas que passaram por aqui, seja como estagiário, colaborador, ou como parceiro. Então pra gente é um prazer muito grande mostrar essa trajetória, essa perseverança, determinação, de guerra diária, para a pessoa atingir seus objetivos e suas metas, e ter uma perspectiva de futuro. Como o Clarindo, um senhor, que eles conseguiram atingir seus objetivos, superando tantas dificuldades, e com determinação, e sempre perseverando”.
“A gente percebe, o quanto, esse espaço contribui, para realizar esses sonhos, pois somos um museu que desenvolve socialmente, pautas para a necessidade da comunidade. Então um documentário como esse, que mostra toda a trajetória de luta de pessoas negras, pra gente é motivo de muito orgulho e satisfação, sendo palco para mostrar tantas histórias tão lindas”, finaliza.
Para saber mais, acesse o canal do Youtube, Museu Vivo da Cidade.