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Dia Mundial do Coração: risco cardiovascular feminino pode crescer antes da menopausa, alerta especialista

 Dia Mundial do Coração: risco cardiovascular feminino pode crescer antes da menopausa, alerta especialista

Foto: Marcos Welber

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Embora a relação entre menopausa e aumento do risco cardiovascular em mulheres seja mais conhecida, as alterações que favorecem esse cenário podem começar antes da última menstruação. Durante a perimenopausa, fase de transição para a menopausa, algumas mudanças podem contribuir para o agravamento de fatores de risco. O Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, reforça a importância da prevenção e do acompanhamento da saúde cardíaca feminina.

Dados de um estudo divulgado neste ano pela American Heart Association, que avaliou mais de 9 mil mulheres, apontaram que aquelas que estavam na perimenopausa tinham o dobro de probabilidade de apresentar uma avaliação geral considerada ruim da saúde cardiovascular em comparação com mulheres que ainda tinham ciclos menstruais regulares. O resultado permaneceu mesmo após os pesquisadores levarem em conta a idade das participantes. Entre os fatores que mais influenciaram a diferença estavam os níveis de colesterol e glicemia.

Uma segunda pesquisa recente também chama atenção para a necessidade de monitorar a saúde cardiovascular feminina independentemente da idade. Publicado em 2026 na revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, o estudo avaliou informações de mais de 2,4 milhões de mulheres e identificou que pacientes com síndrome ovariana metabólica poliendócrina (Somp) tinham 4,4 vezes mais risco de desenvolver eventos cardiovasculares ateroscleróticos, entre eles infarto e AVC. A Somp é a nova denominação proposta para a síndrome dos ovários policísticos (SOP).

Prevenção antes da menopausa

A ginecologista e consultora médica do Sabin Diagnóstico e Saúde, Luciana de Paiva Nery, destaca a importância de iniciar os cuidados antes que os fatores de risco se agravem. “A perimenopausa deve ser vista como uma verdadeira janela de oportunidade para prevenção. Esperar a mulher chegar à menopausa para começar a cuidar da saúde cardiovascular pode significar perder anos importantes de prevenção”, explica.

De acordo com a especialista, as alterações hormonais características dessa etapa da vida podem estar relacionadas a mudanças no metabolismo. O estudo da American Heart Association também indica que as oscilações nos níveis de estrogênio durante a perimenopausa podem interferir no colesterol, na resistência à insulina, na pressão arterial e no controle do peso.

Nesse contexto, a avaliação cardiometabólica pode ajudar a detectar precocemente possíveis fatores de risco. O acompanhamento pode incluir a medição da pressão arterial, exames do perfil lipídico, com análise de LDL, HDL, triglicérides e colesterol total, além da verificação da glicemia. Peso, índice de massa corporal (IMC) e circunferência abdominal também podem ser considerados.

Nos casos em que há fatores de risco ou histórico familiar de doenças cardiovasculares, o médico pode recomendar uma investigação mais detalhada. “O mais importante é estabelecer um ponto de base ainda na perimenopausa e acompanhar esses parâmetros ao longo do tempo”, reforça Luciana.

Acompanhamento deve ser individualizado

A frequência dos exames e o tipo de acompanhamento necessário variam de acordo com as características de cada mulher. Segundo a ginecologista, fatores como idade, resultados de exames anteriores, histórico familiar e risco cardiovascular devem ser considerados na definição da estratégia de prevenção.

Mulheres com Somp, obesidade, diabetes, hipertensão, alterações nos níveis de colesterol, sedentarismo ou histórico familiar de doença cardiovascular precoce podem necessitar de um acompanhamento mais frequente.

Hábitos que ajudam na prevenção

Além do acompanhamento médico, mudanças na rotina podem contribuir para diminuir os riscos cardiovasculares. A prática regular de exercícios físicos, uma alimentação equilibrada, o controle do peso, a interrupção do tabagismo, o consumo moderado de álcool e a manutenção de uma boa qualidade do sono estão entre as principais medidas preventivas.

A médica também destaca que o cuidado não deve se limitar aos resultados alterados nos exames. A saúde da mulher precisa ser analisada de maneira ampla, considerando condições como hipertensão, colesterol elevado, pré-diabetes e diabetes, que devem ser acompanhadas e tratadas quando necessário.

“A perimenopausa e a menopausa não devem ser encaradas apenas como fases de sintomas, mas como oportunidades de rever hábitos e investir na saúde cardiovascular para as próximas décadas”, conclui Luciana de Paiva Nery.

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