Destinação adequada de resíduos da construção civil em aterro sanitário impulsiona a economia circular
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Os resíduos da construção civil (RCC) compreendem todos os materiais descartados durante atividades como obras, reformas, reparos e demolições, tanto em espaços públicos quanto privados. Entre os itens mais comuns estão concreto, argamassa, tijolos, cerâmica, vidro e gesso. A destinação adequada desses materiais é fundamental para que possam ser reaproveitados, transformados em novos insumos e reintegrados ao ciclo produtivo, fortalecendo a economia circular.
Apesar da importância, o Brasil ainda enfrenta obstáculos na gestão correta desse tipo de resíduo, conforme explica o engenheiro civil e gerente de operações do Grupo GVC, Paulo Martins. “O grande desafio é que muitos municípios não possuem infraestrutura adequada, sistemas de controle ou áreas licenciadas para receber RCC. A ausência dessa estrutura em várias regiões leva ao descarte irregular, ao uso de áreas clandestinas e à falta de cultura de segregação nas obras. Além disso, a cadeia de reciclagem ainda está em desenvolvimento no país, e isso reforça a importância de existir um destino ambientalmente correto como ponto de partida”, explicou.
Segundo o engenheiro, o descarte inadequado dos RCC pode provocar uma série de impactos, como o assoreamento de rios e sistemas de drenagem, aumentando o risco de enchentes; obstrução de vias e prejuízos à mobilidade urbana; proliferação de vetores em áreas abandonadas; degradação paisagística e ocupação irregular de áreas verdes, além de gerar custos extras ao poder público, responsável pela remoção e destinação final dos materiais.
Diante desse cenário, os aterros sanitários surgem como parte da solução. Ao chegarem a unidades de tratamento devidamente licenciadas, os resíduos passam por etapas de recepção, classificação e disposição adequada, assegurando a separação entre RCC e resíduos domiciliares e o cumprimento das normas ambientais.
A segregação dos materiais e a aplicação de processos mecânicos, como britagem e peneiramento, possibilitam a conversão de parte dos resíduos em insumos reutilizáveis. Essas práticas podem ser implementadas de forma progressiva, conforme a evolução tecnológica e a demanda de cada localidade, representando um avanço significativo para o futuro da gestão de resíduos.
“O importante é que o aterro licenciado cria o ambiente seguro e controlado que permite tanto a disposição ambientalmente correta quanto a futura instalação de plantas de reaproveitamento. Sem essa base, a reciclagem não existe”, afirmou o engenheiro.
Paulo também ressaltou que resíduos como concreto, cerâmica, asfalto, metais, plásticos, madeira e gesso possuem potencial de reciclagem. No entanto, materiais misturados ou contaminados apresentam maior complexidade no reaproveitamento, pois demandam processos de triagem mais elaborados.
RCC e economia circular
O encaminhamento dos resíduos da construção civil para aterros sanitários de forma correta e licenciada contribui diretamente para a economia circular, ao transformar o que poderia ser um descarte irregular em matéria-prima passível de reaproveitamento, reinserindo esses materiais no ciclo produtivo da construção civil.
De acordo com Paulo, quando os RCC são destinados adequadamente ao aterro, “evita-se o desperdício e a perda do material em descartes clandestinos, mantém-se o resíduo disponível para futuras cadeias de reciclagem, reduz-se a necessidade de abertura de novas jazidas de areia e brita e prolonga a vida útil do aterro, além de diminuir o impacto ambiental. Mesmo que a reciclagem não aconteça imediatamente, a destinação correta é o elo que permite que ela aconteça no futuro”, concluiu.