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Definição do perfil e suporte emocional: conheça os obstáculos invisíveis da adoção e caminhos para superá-los

 Definição do perfil e suporte emocional: conheça os obstáculos invisíveis da adoção e caminhos para superá-los

Foto: Arquivo Pessoal

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Muito além da papelada e das exigências legais, a adoção envolve etapas delicadas e, muitas vezes, invisíveis para quem não vivencia essa experiência de perto. Uma das fases mais sensíveis é a definição do perfil da criança ou adolescente. Embora possa soar como uma decisão simples, refletir sobre como se deseja formar a família é fundamental nesse percurso.

Dados divulgados pelo Ministério Público da Bahia, em 2023, apontam que a maioria das crianças e adolescentes aptos à adoção tem entre 10 e 17 anos. Em contrapartida, mais da metade dos 35 mil pretendentes cadastrados no país demonstram preferência por crianças de até quatro anos. Esse também era o desejo inicial de Rafael Suariano e de seu companheiro, Gilles, que buscavam um bebê de até 3 anos. Com o passar do tempo e o contato com outras histórias, o casal passou a reconsiderar essa escolha.

“O processo foi longo. No início, nós buscávamos um bebê de até 3 anos, como a maior parte das famílias. Nos deram 6 anos de espera, o que parecia muito longo. Participando de grupos de adoção tivemos contato com história de adoção de crianças mais velhas e fomos nos abrindo para essa possibilidade”, disse ele.

Além da troca em grupos de apoio, Rafael destaca o papel essencial do acompanhamento psicológico durante a jornada. Segundo ele, o diálogo com a profissional possibilitou uma nova perspectiva sobre a chamada adoção tardia. A escuta atenta, o acolhimento e a sensibilidade foram determinantes para que o casal ampliasse o perfil desejado, passando de 3 para 13 anos. “Sempre nos orientando a cada etapa, trazendo serenidade e nos ajudando a avaliar as situações para tomarmos as melhores decisões. Quando achamos o Matheus, ela acompanhou o processo e passou a atender ele para dar suporte e acompanhamento”, destacou Rafael.

Histórias como a de Rafael e Gilles mostram que é comum iniciar o processo com uma ideia definida e, ao longo da preparação e do autoconhecimento, rever decisões. A psicóloga especializada em adoção Aline Santana explica que essa mudança é possível e, muitas vezes, saudável. “É super possível mudar o perfil ao longo do processo de espera ou de habilitação, o mais importante é que essa escolha seja feita com consciência e ela só é adquirida com muita preparação e reflexão sobre o que é se tornar pai ou mãe de uma criança daquela idade e tendo o autoconhecimento suficiente para entender quais são as suas limitações em relação ao cuidado de uma criança ou adolescente que venha por meio da adoção”, explicou Aline Santana, psicóloga especializada em adoções.

Desafios

A especialista ressalta que ainda predomina, entre os pretendentes brasileiros, a preferência por meninas de 0 a seis anos. A adoção de grupos de irmãos ou de crianças com alguma condição de saúde também encontra resistência. Apesar disso, ela observa uma transformação gradual no perfil escolhido por quem está habilitado.

“O perfil geralmente é um fator importante que vai determinar o seu tempo de fila, uma vez que existem muito mais crianças acima de 8 anos disponíveis para adoção. No entanto, mudar o perfil visando apenas a velocidade do processo pode colaborar para um fracasso na adoção, causando novas rupturas na vida desta criança e adolescente”, alerta a profissional.

A importância do suporte após a adoção

De acordo com Aline, os primeiros meses após a chegada do filho ou filha costumam ser os mais desafiadores. Por isso, a continuidade do acompanhamento psicológico é considerada essencial.

“Estamos falando de mudanças no sistema familiar, existem adultos se adaptando ao papel de pais e mães e existem crianças aprendendo a ser filhas, muitas vezes sem ter tido nenhuma referência anterior. O acompanhamento é ideal nesses primeiros meses para que essa família possa ter apoio e consiga atravessar essa mudança familiar com menor impacto possível”, afirma Aline.

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