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Cultura da espada é tema de articulação conjunta entre Bahia e Sergipe

 Cultura da espada é tema de articulação conjunta entre Bahia e Sergipe

Foto: Divulgação

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Uma delegação baiana, formada por representantes de dez municípios, esteve reunida com autoridades de Sergipe – entre elas o prefeito local, secretários e líderes comunitários — para debater a legalização, regulamentação e os cuidados em torno da tradicional soltura da espada e do barco de fogo. O encontro reafirma os laços culturais entre os dois estados e valoriza uma prática que se mantém viva ao longo dos anos como expressão de identidade, ancestralidade e da economia popular.

A iniciativa, idealizada por Thiancle Araújo, ex-prefeito de Castro Alves, e por Ito de Bega, ex-prefeito de Conceição do Almeida, tem como foco não apenas o fortalecimento da cultura da espada, mas também a busca por fundamentos jurídicos, históricos e documentais em Sergipe que possam apoiar a legalização da prática na Bahia.

“Essa prática não começou agora. Estamos falando de uma festa ancestral, profundamente ligada às comunidades quilombolas, à nossa história e identidade. Viemos buscar elementos jurídicos, documentais e históricos para levar à Bahia. Espada não é arma, não é crime. Espadeiro não é bandido – e vamos legalizar.”

Durante o encontro, os participantes destacaram a necessidade de respeitar as normas estabelecidas pelos órgãos públicos e pelas associações locais, incluindo dias, horários e locais autorizados para a soltura dos artefatos. A intenção é preservar a segurança e garantir a continuidade da tradição de maneira organizada e consciente.

“A legalização e regulamentação não são obstáculos, mas ferramentas de proteção para essa cultura tão rica. Precisamos garantir que as novas gerações possam continuar celebrando com responsabilidade”, afirmou o secretário de Cultura de Estância, Paulo Ricardo.

O papel das mulheres na manutenção dessa tradição também ganhou destaque. Elas são responsáveis pela confecção, cuidado e preparação dos espaços, perpetuando saberes transmitidos por gerações.

“A mulher que molda a espada é aquela que foi lapidada pelo fogo. Ela não apenas acende o pavio, mas cuida do ritual e mantém viva a festa ancestral”, ressaltou o presidente da associação dos moradores quilombolas, Wellington Quilombola.

Além do valor simbólico e cultural, a prática também movimenta a economia local, beneficiando artesãos, comerciantes, ambulantes, músicos e produtores culturais. Pesquisadores dos estados da Bahia, Sergipe e Alagoas também vêm se dedicando ao tema, reconhecendo a espada e o barco de fogo como manifestações vivas do patrimônio imaterial nordestino.

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