Com foco na experiência ao vivo, Renato Coelho RC consolida sua proposta artística em Salvador
Foto: Divulgação
Existe uma diferença entre cantar músicas conhecidas e construir uma experiência a partir delas. É nesse espaço que Renato Coelho RC vem desenhando sua identidade artística. Cantor, músico e produtor baiano, ele não trata o repertório como simples sequência de canções, nem o palco como lugar de execução. Seu trabalho parte de uma ideia mais ampla: transformar músicas que já habitam a memória do público em uma experiência presente, viva e autoral.
A diferença de Renato está na forma como organiza o encontro. Há uma preocupação com narrativa, dinâmica, intensidade, pausa, arranjo e resposta do público. O show não funciona apenas como apresentação musical, mas como construção de ambiente. Cada canção entra em cena para provocar lembrança, reação e pertencimento.
Essa leitura aparece com força no projeto Tributo aos Poetas, em que Cazuza e Legião Urbana são revisitados sem a intenção de reproduzir uma época. A proposta não está na imitação, mas na reinterpretação. As músicas permanecem reconhecíveis, mas ganham outro corpo quando passam pela voz, pela banda e pela presença cênica de Renato.
Ao lado de Alexandre Montenegro, Ângelo Canja e Cezar Araújo (que também assina como diretor musical do projeto) o artista consolida uma formação que ajuda a sustentar essa linguagem. A banda não ocupa um papel decorativo. Ela participa da construção estética do projeto e reforça a ideia de que o ao vivo, para Renato, é matéria-prima.
Em tempos em que parte da música é pensada para circular em pequenos fragmentos, Renato Coelho RC aposta no oposto: na duração, no clima, na memória criada dentro de uma sala cheia e na força de uma apresentação que só existe plenamente diante do público.
Sua diferença talvez esteja justamente aí. Renato não parece interessado em transformar o palco em extensão da internet. Ele faz o movimento contrário: usa a presença digital para apontar para aquilo que realmente define sua arte: o encontro.
É nele que sua identidade se revela.