Circuito Brincante exalta as infâncias negras com literatura, música e ancestralidade
Foto: Umbú Comunicação e Cultura 📸 Sobral Media
Música, literatura e atividades lúdicas fizeram parte da programação que animou a tarde das crianças da Creche e Pré-Escola Passo, em Periperi, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. A escritora Cássia Valle e o coletivo Bonde da Calu deram início ao Circuito Brincante – Infâncias Negras em Movimento, realizado entre os dias 22 e 26 de julho. Com ações gratuitas em Periperi e no Comércio, o projeto oferece vivências culturais voltadas ao fortalecimento das identidades negras durante a infância.
Segundo Elienai Costa Silva Santos, pedagoga e responsável pela administração da Bebeteca Antirracista Curumim, a iniciativa contribui para a valorização das crianças desde os primeiros anos de vida. “O Circuito Mulheres Negras em Movimento, ao acolher o Circuito Brincante em nossa unidade escolar, contribui para que as crianças aprendam, desde pequenas, que têm valor e que esse reconhecimento torna o mundo delas mais feliz”, afirmou.
Criada pela Prefeitura de Salvador, a Bebeteca Curumim é a primeira bebeteca antirracista do Brasil. O espaço foi idealizado para aproximar bebês e crianças da leitura, além de colaborar no combate à discriminação racial. Atualmente, atende diretamente 180 crianças matriculadas na unidade e também recebe moradores da comunidade de Periperi.
A gestora escolar da Creche e Pré-Escola Passo e escritora, Denise Vaz Bela, destacou o compromisso da instituição com a educação antirracista. “A nossa creche tem um olhar voltado para as questões antirracistas. Proporcionar, desde a primeira infância, o contato com sua cultura e sua própria história favorece a formação da identidade. Se plantarmos essa semente agora, colheremos pessoas com autonomia e consciência de sua importância no mundo”, afirmou.
O Circuito Mulheres Negras em Movimento é uma iniciativa da Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), dentro do programa Salvador Capital Afro. A ação conta com parceria da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), responsável por atuar como parceira institucional e executora de projetos da Secult.
Para Vanessa Luz, pedagoga e gerente de Programa de Projetos da Diretoria de Cidadania Cultural da Secult, o Circuito Brincante fortalece um dos principais objetivos do Circuito Mulheres Negras em Movimento 2026. “Precisamos compreender que, para além da mulher negra, existe também a infância negra. Quando promovemos atividades lúdicas sobre pertencimento, acolhimento e autorreconhecimento, contribuímos para a validação da identidade dessas crianças”, ressaltou.
Durante as atividades, as crianças participaram da Oficina Brinquerê, promovida pelo Bonde da Calu, além de acompanhar o espetáculo “Griot Yaya e a Mala Brincante Cheia de Histórias”, apresentado por Cássia Valle e integrantes do coletivo. A peça reúne narrativas inspiradas nas obras literárias da autora e nos personagens criados pelo grupo.
Morador de Periperi e pai de Davi Góes, estudante da unidade, Alex Farias enfatizou a relevância do projeto. “É uma oportunidade única para crianças que não têm acesso a essa literatura e a um evento feito especialmente para elas. A literatura é fundamental para o desenvolvimento e para ampliar a compreensão sobre o mundo”, afirmou.
Idealizadora da iniciativa e fundadora do Bonde da Calu, Cássia Valle destacou o papel da arte na valorização das infâncias negras. “Cuidar das infâncias negras é também cuidar das nossas memórias e dos futuros que queremos construir. A arte cria caminhos para que as crianças reconheçam suas histórias, suas referências e sua capacidade de transformar o mundo”, declarou.
Nas próximas semanas, o Circuito Mulheres Negras em Movimento seguirá com uma programação diversificada em diferentes bairros de Salvador. Estão previstas oficinas, rodas de conversa, mostras de cinema, passeios afirmativos, apresentações culturais, feiras de afroempreendedorismo, além de ações voltadas à saúde, formação e cultura. Entre os destaques estão a Praça Maria Felipa em Movimento, marcada para os dias 25 e 26 de julho, a II Corrida Viva o Samba – Edição Mulheres Negras em Movimento e o lançamento da Orquestra Feminina Ilú Obirim.
Lançado em 2025, o circuito alcançou cerca de 18 mil pessoas, esteve presente em 20 bairros da capital, ocupou mais de 25 espaços públicos e reuniu aproximadamente 250 afroempreendedoras. Para 2026, a expectativa é ampliar esse impacto e consolidar a iniciativa como uma das principais políticas públicas voltadas à valorização das mulheres negras em Salvador.