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Cientistas desenvolvem a primeira caneta de adrenalina produzida no Brasil

 Cientistas desenvolvem a primeira caneta de adrenalina produzida no Brasil

Foto: Divulgação

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Um grupo de cientistas brasileiros desenvolveu a primeira caneta autoinjetável de adrenalina do país, voltada para o atendimento emergencial de reações alérgicas graves e com risco de morte, conhecidas como anafilaxia. Atualmente, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, a adrenalina é o único medicamento disponível capaz de reverter esse tipo de quadro. No entanto, o dispositivo autoinjetável ainda não é comercializado no Brasil, sendo acessível apenas por meio de importação, o que encarece significativamente o produto.

O coordenador da equipe responsável pelo desenvolvimento nacional, Renato Rozental, explicou que, apesar de ser um marco para o país, a tecnologia não é inédita no cenário internacional, já que já é utilizada em regiões como Europa, América do Norte, Ásia e Oceania. “Pra quem tem seguro de saúde, caríssimo lá fora, o preço chega a US$ 100. Quem não tem seguro paga até US$ 700. No Brasil, pessoas que têm condições, por meio de processos de judicialização, conseguem importar, mas o preço ainda está nas alturas. Importar uma caneta por R$ 3 mil ou R$ 4 mil é algo fora da realidade brasileira.”, explicou.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária firmou um acordo de cooperação com a Food and Drug Administration (FDA), com o objetivo de acelerar a entrada no país de medicamentos já aprovados nos Estados Unidos. Segundo Rozental, isso permitirá à Anvisa acessar diretamente dados técnicos, mesmo que confidenciais, o que pode facilitar a liberação de novos dispositivos. “É um processo que vamos discutir na semana que vem, em Salvador, onde teremos um representante da Anvisa que lida especificamente com isso”, disse, ao mencionar o debate previsto para a próxima sexta-feira (15), durante o Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia.

De acordo com os pesquisadores, a produção da caneta nacional poderia começar em cerca de 11 meses, mas o cronograma depende da aprovação regulatória da Anvisa.

Anafilaxia
O presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, Fábio Chigres, alertou para o crescimento expressivo dos casos de alergia no país, incluindo episódios de anafilaxia. “Há 30 anos, em hospitais públicos especializados no tratamento de alergia, referência para esses casos, a gente via oito ou dez casos por ano de crianças com alergia a leite de vaca. Hoje, vejo isso em uma semana”, pontuou.

Segundo o especialista, entre crianças, os alimentos são a principal causa das reações alérgicas, com destaque para leite e ovo. Já entre adultos, os medicamentos lideram os casos, especialmente analgésicos e anti-inflamatórios, que podem ser adquiridos sem prescrição médica. Antibióticos também estão entre os responsáveis, assim como alimentos como crustáceos e mariscos.

“No caso específico da anafilaxia, trata-se de uma reação alérgica muito grave e que se desenvolve rapidamente”, disse. “Essa reação causa choque anafilático, uma queda de pressão abrupta e muito grande, que faz com que o sangue não circule pelo corpo e não chegue ao cérebro. O organismo libera uma substância chamada histamina, que causa uma reação generalizada e pode afetar pele e pulmão, além de causar broncoespasmo e edema de glote, fechando as vias aéreas superiores.”

Nessas situações, a aplicação de adrenalina pode reverter os sintomas em poucos minutos – geralmente entre um e cinco – permitindo a estabilização do paciente até o atendimento hospitalar. A expectativa, segundo Chigres, é que a versão brasileira da caneta autoinjetável chegue ao mercado com preço estimado em torno de R$ 400.

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