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Campanha Julho Roxo faz alerta para miomas e destaca avançõs de tratamento

 Campanha Julho Roxo faz alerta para miomas e destaca avançõs de tratamento

Foto: Divulgação

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Cólica intensa, sangramento menstrual excessivo, dor pélvica persistente e aumento do abdômen são queixas frequentes entre mulheres brasileiras, mas que, muitas vezes, acabam sendo vistas como parte comum do ciclo feminino. No entanto, esses sintomas podem ser sinais de miomas uterinos – tumores benignos que, de acordo com o Ministério da Saúde, atingem até 80% das mulheres em idade fértil.

Durante o Julho Roxo, mês dedicado à conscientização sobre os miomas, especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento individualizado. “Os miomas são benignos, mas isso não significa que não causem danos. Eles podem provocar sangramentos intensos, dores incapacitantes e impactar profundamente a qualidade de vida da mulher”, afirma o cirurgião pélvico Marcos Travessa, coordenador do Núcleo de Cirurgia Ginecológica do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR).

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que cerca de metade das mulheres com miomas não apresenta sintomas, o que dificulta a detecção precoce. Quando os sinais aparecem, podem incluir ainda anemia, cansaço constante e dor durante as relações sexuais. “Por muito tempo, essas queixas foram naturalizadas ou ignoradas. Hoje, entendemos que o cuidado com os miomas deve ser centrado na mulher e nos impactos reais que ela vive”, destaca Travessa.

O diagnóstico geralmente começa com uma avaliação ginecológica e é confirmado por meio de ultrassonografia pélvica ou transvaginal. Em casos mais complexos, a ressonância magnética pode ser utilizada para identificar a quantidade, o tamanho e a localização dos nódulos. “O mais importante é individualizar o tratamento. Nem todo mioma exige cirurgia, mas quando ela é necessária, temos alternativas seguras e minimamente invasivas”, explica a cirurgiã ginecológica Gabrielli Tigre, também do IBCR.

Entre essas opções está a cirurgia robótica, que tem transformado o manejo dos miomas. A técnica permite retirar os nódulos com mais precisão, menos sangramento e um tempo de recuperação reduzido. “A robótica é especialmente vantajosa nos casos de miomectomia, quando preservamos o útero da paciente. Isso é fundamental para manter sua saúde reprodutiva e hormonal”, ressalta Gabrielli.

Outras formas de tratamento incluem o uso de medicamentos hormonais, como os moduladores de progesterona e os agonistas de GnRH, que ajudam a reduzir o tamanho dos miomas e aliviar os sintomas. Em casos mais severos, pode ser indicada a histerectomia – cirurgia para remoção do útero -, especialmente quando não há planos de gravidez e o quadro compromete a qualidade de vida da paciente.

Ainda não se conhece com precisão a causa dos miomas, mas fatores como genética, obesidade, alterações hormonais e histórico familiar são apontados como influenciadores. Mulheres negras têm até três vezes mais probabilidade de desenvolver miomas e, segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), costumam apresentar sintomas mais severos e precoces.

A campanha Julho Roxo quer ampliar a discussão sobre o tema. “Sentir dor, sangrar por muitos dias ou viver com desconforto não é normal. Informar, escutar e oferecer acesso a diagnóstico e tratamento adequado é o caminho para mudar essa realidade”, conclui o Dr. Marcos Travessa.

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