15 de fevereiro de 2026
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Calor intenso do verão pede cuidados extras com a saúde urinária infantil

 Calor intenso do verão pede cuidados extras com a saúde urinária infantil

Foto: Raí Nascimento

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Com o calor intenso do verão baiano, aumenta a frequência de idas à praia e à piscina entre crianças e adolescentes – e, junto com esse hábito, cresce também a incidência de infecções do trato urinário (ITU). Bastante comum na infância, o problema pode provocar dor, febre e, em situações mais graves, comprometer os rins. A associação entre altas temperaturas, pouca ingestão de líquidos, longos períodos sem urinar e o uso prolongado de roupas de banho molhadas cria um ambiente favorável à multiplicação de bactérias na região íntima.

“No verão, a criança costuma beber menos água do que deveria, segura mais o xixi por estar brincando e permanece por mais tempo com roupa molhada. Esse conjunto de fatores facilita o surgimento das infecções urinárias”, explica o urologista do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), João Estrela, especialista em Uropediatria, Cirurgia Robótica e Endourologia.

De acordo com o médico, a infecção urinária acontece quando bactérias se proliferam no trato urinário, podendo atingir a bexiga e, em alguns casos, os rins. Pesquisas apontam que, até os sete anos, aproximadamente 8% das meninas e 2% dos meninos terão ao menos um episódio da doença. “A diferença entre os sexos se deve principalmente a fatores anatômicos e comportamentais”, diz.

Diferenças

Entre as meninas, o risco costuma aumentar após o fim do uso de fraldas. A uretra mais curta, aliada à maior exposição da região genital à umidade e a falhas na higiene, facilita a entrada de bactérias. Durante o verão, o problema se agrava com o uso constante de biquínis e maiôs molhados, além do contato frequente com areia e água do mar ou de piscinas. “A umidade constante e a irritação local favorecem o surgimento da infecção, principalmente em meninas”, observa João Estrela.

Já nos meninos, a infecção urinária ocorre com menos frequência, mas exige atenção especial quando surge nos primeiros anos de vida, especialmente se houver febre. “Quando um menino pequeno apresenta infecção urinária febril, é importante investigar possíveis alterações no trato urinário, dificuldades no esvaziamento da bexiga ou questões relacionadas ao prepúcio. Não é motivo para alarme, mas é fundamental avaliar com cuidado”, ressalta o especialista.

Sinais

Em crianças maiores, os sintomas costumam ser mais claros, como ardência ao urinar, aumento da frequência das micções, urgência para ir ao banheiro e dor abdominal. Em bebês e crianças pequenas, porém, a infecção pode se manifestar de forma menos específica, sendo a febre o principal sinal de alerta. “Febre sem causa aparente em crianças pequenas sempre deve ser investigada. A infecção urinária está entre as possibilidades, e o diagnóstico precoce faz toda a diferença”, destaca Estrela.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que pais e responsáveis observem sinais como dor ou ardor ao urinar, mudanças na cor ou no odor da urina, presença de sangue e febre associada. Quanto mais rápido o diagnóstico, menores são as chances de complicações.

Prevenção

Apesar da necessidade de cuidados, o verão não precisa ser um período de restrições. Medidas simples ajudam a prevenir o problema e podem ser incorporadas facilmente à rotina das férias. Garantir boa hidratação estimula a produção de urina e auxilia na eliminação de bactérias. Incentivar a criança a ir ao banheiro regularmente, sem esperar a vontade extrema, evita a retenção urinária. Trocar a roupa de banho molhada por peças secas logo após sair da água diminui a umidade na região íntima e reduz o risco de irritações e infecções.

A higiene íntima deve ser feita de maneira adequada, sem excessos ou uso de produtos perfumados que possam causar irritações, especialmente nas meninas. Também é importante ficar atento ao funcionamento do intestino, já que a constipação e o hábito de segurar o xixi aumentam a chance de infecções urinárias recorrentes e precisam ser tratados em conjunto.

“Prevenir não significa proibir a criança de aproveitar o verão. Significa ensinar uma rotina simples: beber água, ir ao banheiro regularmente e trocar a roupa molhada. São cuidados básicos, mas que muitas vezes são esquecidos durante as férias”, reforça o urologista do HMDS.

Quando procurar um médico – A recomendação é buscar atendimento médico sempre que houver febre sem causa definida, dor lombar, vômitos, prostração, ardor ao urinar, presença de sangue na urina ou sintomas persistentes. O diagnóstico é realizado por meio de exames de urina e, quando indicado, cultura bacteriana. O tratamento depende da avaliação clínica e dos resultados laboratoriais.

Para João Estrela, a informação é fundamental na prevenção. “Com atenção aos sinais e hábitos simples no dia a dia, é possível reduzir bastante os casos de infecção urinária e garantir que as crianças aproveitem o verão com mais saúde e tranquilidade”, conclui.

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