Brasil registra mais de 2 mil casos de coqueluche e acende alerta; Bahia contabiliza 135 infecções
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A coqueluche, infecção respiratória provocada pela bactéria Bordetella pertussis – doença que já havia sido controlada no Brasil – voltou a gerar preocupação em todo o continente americano. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país registrou em 2025 o segundo maior número de casos desde 2019, acendendo um alerta sobre a importância da vacinação, principal forma de prevenção, conforme explica a médica infectologista pediátrica do Sabin Diagnóstico e Saúde, Sylvia Freire.
Com maior risco de complicações em bebês com menos de um ano, a coqueluche pode atingir pessoas de todas as idades. “Dessa forma, é imprescindível a vacinação em crianças e também a aplicação de reforços na adolescência e na fase adulta”, destaca Sylvia.
A coqueluche é uma infecção respiratória aguda caracterizada por crises de tosse intensa e prolongada. Altamente contagiosa, ela tem se espalhado por diferentes países do continente americano, segundo a OPAS. No Brasil, até meados de setembro de 2025, foram confirmados 2.173 casos e sete mortes. A maioria das infecções ocorre em crianças pequenas – 27,7% em menores de um ano e 25,5% entre um e quatro anos.
Na Bahia, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) registrou até outubro 755 casos suspeitos e 135 confirmações, sem mortes até o momento. O levantamento aponta que a maior incidência também ocorre em bebês com menos de um ano, com 42 ocorrências, enquanto crianças com até cinco anos concentram mais da metade dos registros no estado, totalizando 68 casos.
A infectologista reforça que o esquema primário de vacinação deve começar aos dois meses de idade, com doses adicionais aos quatro e seis meses e reforços aos 15 meses e aos quatro anos. “Devem ser aplicadas outras doses de reforço ao longo da vida, conforme faixa-etária e histórico prévio de imunização. Gestantes merecem especial atenção e devem ser vacinadas para oferecer proteção a seus bebês nos primeiros meses de vida, até que possam ser imunizados”, explica Sylvia.
A médica ressalta ainda que adultos que convivem com crianças pequenas precisam manter a vacinação atualizada, já que muitas vezes os bebês são infectados por irmãos, pais, avós ou cuidadores que apresentam sintomas leves e demoram a procurar atendimento médico.
“Como a proteção conferida pela vacina dura cerca de 5 a 10 anos, são necessários reforços na adolescência e idade adulta”, alerta a especialista. A vacina para adultos (fora do período gestacional ou de puerpério) está disponível apenas na rede particular, incluindo as unidades do Sabin em Salvador, Lauro de Freitas e Barreiras. A vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular tipo adulto) pode ser usada tanto para iniciar o esquema de imunização quanto para reforço, de acordo com o histórico vacinal. Para quem pretende viajar a regiões com risco de poliomielite, há a opção da dTpa+VIP, que também protege contra a doença.
Tratamento
O tratamento da coqueluche inclui o uso de antibióticos, que ajudam a reduzir a gravidade dos sintomas quando administrados precocemente. Além disso, hidratação adequada e controle da febre são cuidados fundamentais. “Todo o tratamento deve ser orientado por um médico, visando evitar complicações”, conclui a infectologista.