Bienal do Lixo 2025 em Salvador reúne jovens talentos e nomes consagrados na arte feita com resíduos
Foto: Divulgação
A capital baiana recebe, entre os dias 4 e 7 de setembro, a Bienal do Lixo 2025, que acontece no Farol da Barra. A programação traz uma grande mostra de arte sustentável, reunindo artistas renomados e novos nomes que utilizam resíduos como matéria-prima para criar obras inovadoras. O objetivo é despertar reflexões sobre consumo, descarte e reaproveitamento. Os trabalhos apresentados são feitos a partir de materiais como plástico, vidro, papelão, metais e equipamentos eletrônicos.
Um dos principais destaques internacionais será a estreia no Brasil da ONG Ocean Sole, do Quênia, que exibirá duas esculturas de grande porte – uma girafa e um elefante – confeccionadas com chinelos reciclados coletados em praias e oceanos.
Com sede em Nairóbi, a organização transforma anualmente mais de um milhão de chinelos em arte, apoiando comunidades locais e promovendo a conscientização sobre a poluição marinha. “Estamos honrados em trazer nossa história para o Brasil. Por meio da arte, destacamos a poluição por resíduos plásticos, protegemos a vida marinha e criamos meios de subsistência sustentáveis”, afirma Erin Smith, CEO da Ocean Sole.
O evento também contará com obras de artistas brasileiros que exploram a relação entre arte e reciclagem, entre eles veteranos como Jota Azevedo e Cacau, presentes desde a primeira edição da Bienal, em 2022, em São Paulo. “A arte que utiliza materiais reciclados vem ganhando reconhecimento em todo o mundo. Em breve, terá grande valor, assim como outras formas de expressão consagradas”, avalia Jota Azevedo.
Co-curador da mostra, Cacau apresentará uma instalação sonora interativa inspirada na obra Trenzinho Caipira, de Heitor Villa-Lobos, com letra de Ferreira Gullar, de quem foi aluno. A proposta utiliza totens de sucata que permitem ao público experimentar sons gerados por instrumentos confeccionados com resíduos reaproveitados. “Há dois anos venho pesquisando como transformar resíduos em música. Essa obra provoca a reflexão: qual destino damos ao que produzimos e descartamos? Para onde nos leva esse ‘trem’ da sociedade contemporânea?”, questiona o artista.
Para os estreantes, a participação no evento é considerada um marco. “Ser convidada para a Bienal do Lixo é uma honra, pois sempre busquei ressignificar materiais por meio da minha arte”, afirma Agatha Faveri. Já Calvo acrescenta: “Minha obra destaca a importância do reaproveitamento e de como o público pode enxergar o lixo como possibilidade criativa”. Gabriel Gombossy também reforça: “A Bienal do Lixo mostra que a criatividade pode dar novo valor aos resíduos, ampliando o debate sobre consumo, descarte e reutilização”.
De Ilhéus (BA), o artista Goca Moreno chama atenção para o caráter social da iniciativa: “Eventos como este aproximam arte e sociedade, criando um espaço onde estética e consciência caminham juntas”. A fotógrafa Marina Moterle, outra estreante, exibirá imagens de resíduos coletados em viagens internacionais. “Participar é um marco na minha história. Minhas obras convidam à reflexão sobre consumo e descarte, valorizando catadores e povos originários como agentes de regeneração”, destaca.
Além da mostra principal, a programação inclui oficinas de upcycling. A ONG Refoliar vai oferecer quatro oficinas para 120 pessoas, ensinando a criação de porta-retratos sustentáveis feitos de abadás, sem costura. Já a Humana Brasil promoverá atividades para produção de chaveiros e porta-joias com tecidos reaproveitados, além de instalar um ponto de coleta de roupas. As duas instituições também assinam os figurinos do Desfile Sustentável, marcado para o sábado (6/9).
Outras atrações confirmadas são o Desfile de Moda Consciente, os Painéis de Diálogos e a Mostra de Cinema, realizados na Associação Atlética da Bahia.
Organizada pelas agências La Mela e Usina, a Bienal é viabilizada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura. O evento ocupará uma área de 3 mil m² no Farol da Barra, com um domo central de 175 m² dedicado à exposição principal.
Consolidada como um dos eventos mais relevantes do calendário cultural e ambiental do país, a Bienal do Lixo 2025 reforça o poder da arte como ferramenta de transformação social e ambiental, promovendo um debate essencial sobre o impacto das escolhas humanas e o futuro sustentável.