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Artista visual baiana Teka Portela destaca ancestralidade, religiosidade e cultura popular em exposição no Museu da Misericórdia

 Artista visual baiana Teka Portela destaca ancestralidade, religiosidade e cultura popular em exposição no Museu da Misericórdia

Foto: Divulgação

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O Museu da Misericórdia recebe a exposição “Festas e Flores de Todos os Santos”, da artista visual Teka Portela, que apresenta ao público um conjunto de obras que traduzem, por meio de cores, formas e símbolos, a força da fé, das festas populares e da cultura baiana. A mostra fica em cartaz de 9 a 31 de janeiro de 2026 e convida os visitantes a uma experiência sensorial e afetiva, na qual o sagrado, as cores intensas e a beleza das celebrações que compõem a identidade do povo da Bahia se transformam em arte. A vernissage, restrita a convidados, acontece no dia 8 de janeiro, às 18h, com apresentação musical de Amadeu Alves e sua filha, Juliana Alves.

A partir de pinturas e instalações, Teka Portela presta homenagem às manifestações populares que unem religiosidade, cultura e expressão artística. Inspirada pela ancestralidade e pela riqueza das tradições locais, a artista leva para o espaço expositivo a simbologia das flores como representação de devoção, identidade e espiritualidade. Para ela, a arte funciona como um tributo ao Brasil e como uma ponte entre o observador e o sagrado, capaz de despertar emoções, senso de pertencimento e memórias afetivas.

Com curadoria de Rafael Dantas, a exposição reúne referências a celebrações emblemáticas da Bahia, como a Festa de Iemanjá, a Lavagem do Bonfim e festas dedicadas a santos populares, entre eles Santa Bárbara, Santo Antônio e São João. Nas obras, as flores ganham significados específicos e dialogam com cada festa: o vermelho remete a Iansã na celebração de Santa Bárbara; o azul evoca Iemanjá; os lírios brancos simbolizam Santo Antônio; os girassóis iluminam São João; e as flores brancas representam a paz de Cristo. Esses elementos expressam visualmente a fé, o sincretismo religioso e a força simbólica das festas como manifestações de identidade e resistência cultural.

A realização da exposição no Museu da Misericórdia marca um momento especial no processo de reabertura do espaço, reforçando seu papel como centro de preservação histórica e difusão cultural da Bahia. Para Teka Portela, expor no local tem um valor particular, tanto pela relevância histórica do museu quanto pela relação afetiva de sua família com a instituição e pelo caráter filantrópico envolvido. Com “Festas e Flores de Todos os Santos”, a artista reafirma seu compromisso em traduzir a essência da Bahia em arte, oferecendo ao público uma vivência sensível, imersiva e profundamente conectada à espiritualidade e à memória coletiva.

“Minha arte é uma homenagem ao Brasil e transborda todo meu amor e respeito pela Bahia. Acredito que a arte pode encantar, curar e ser uma ponte com o sagrado. Pinto orando, cantando e pedindo que cada obra leve bênçãos, paz, amor e boas vibrações para quem a contempla”, afirma Teka Portela.

Sobre a artista

Autodidata, Teka Portela iniciou sua trajetória ainda jovem, quando recebeu do pai, o engenheiro Luiz Lanat, pincéis e tinta amarela para pintar as rodas do chamado “Primeiro Carro da Bahia”, episódio que simboliza seu primeiro contato com a pintura. Esse momento inicial conecta sua história pessoal à memória cultural da cidade, já que o veículo foi restaurado pela família e posteriormente cedido ao Museu da Misericórdia. Nascida em Salvador, em 1962, a artista desenvolveu uma obra profundamente ligada à Bahia, à sua cultura e à natureza. A presença feminina ocupa papel central em sua poética. Influenciada pela avó florista e pela mãe, também pintora, nascida no bairro do Rio Vermelho no dia de Iemanjá, Teka reverencia em suas criações as mulheres baianas como guardiãs da fé, das tradições populares e da espiritualidade.

Apaixonada pelas festas populares, a artista imprime em seus trabalhos a força da devoção do povo baiano, tendo as flores como elemento recorrente e simbólico. Cada flor representada remete a uma festividade, a aspectos da religiosidade local e, sobretudo, à potência espiritual das mulheres que mantêm essas tradições vivas. Sua produção estabelece um diálogo direto entre arte, memória e sagrado. O processo criativo também reflete um compromisso com a sustentabilidade, com o uso de materiais reciclados e tintas à base de água. Transitanto entre o figurativo e o abstrato, Teka explora ainda temas como o mar, os peixes e os anjos, ampliando sua liberdade criativa por meio de cores, formas e sensações. Com exposições no Brasil e em Portugal, a artista se consolida como uma das guardiãs da cultura baiana, produzindo obras que emocionam e celebram a vida, a fé e a identidade cultural.

Programação da abertura da mostra

18h00 – Abertura da vernissage
18h30 – Apresentação musical com Amadeu Alves e Juliana Alves
19h30 – Cerimônia de abertura
21h00 – Encerramento musical com Amadeu Alves e Juliana Alves

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