Artista solo se destaca entre grupos covers e de tributo no Salvador Moto Capital 2025
Foto: @agra.fotografia
O Salvador Moto Capital 2025, realizado nos dias 04, 05 e 06 de dezembro, na orla de Piatã, viveu uma daquelas noites em que o rock parece crescer a ponto de superar o próprio evento. A programação foi dominada por bandas covers e tributos que prestaram homenagens marcantes a grandes nomes do gênero. Em meio a tantas interpretações de clássicos internacionais e nacionais, o sábado chamou a atenção por um detalhe: apenas um artista subiu ao palco apresentando-se com o próprio nome. Esse artista foi Renato Coelho RC, acompanhado por sua banda.
A presença dele criou um contraste interessante na noite. Enquanto os tributos valorizavam ícones do rock mundial com fidelidade e personalidade, Renato apostou no rock brasileiro como espinha dorsal da apresentação – e a proposta funcionou desde o início. Ele entrou ao lado de Cadinho Almeida, Ângelo Canja e Cezar Araújo, formando um conjunto que entregou uma atmosfera recheada de energia, nostalgia e autenticidade.
O setlist trouxe sucessos de Legião Urbana, Barão Vermelho, Titãs, Capital Inicial e Matanza em versões diretas, intensas e sem exageros. Foi rock nacional na sua forma mais pura, com a força e o peso que agradam ao público. A cada música, era possível sentir uma mudança no ambiente, como se todos estivessem revivendo memórias marcadas por aquelas canções.
Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando o baixista Cadinho Almeida puxou a homenagem ao Camisa de Vênus. A escolhida foi Eu Não Matei Joana Darc, e bastaram os primeiros acordes para a plateia reagir com entusiasmo, cantando como se a música fizesse parte de sua rotina até hoje. O clássico baiano acrescentou uma dose afetiva especial e combinou perfeitamente com a atmosfera do festival.
A apresentação ganhou ainda mais destaque com a entrada de Jorge King, vocalista da King Cobra, que dividiu com Renato dois hinos impossíveis de ignorar: Smoke On the Water e Highway to Hell. A participação fluiu de forma natural, sem cerimônias, transmitindo a sensação de encontro espontâneo. Jorge trouxe presença e potência, enquanto a banda de Renato acompanhou tudo com firmeza e sintonia.
No fim das contas, ser o único artista solo do line-up não isolou Renato – pelo contrário. Ele entregou uma leitura própria do rock brasileiro que dialogou com o público e com a essência do evento. Sua banda reforçou essa identidade com maturidade e entrega genuína.
O Salvador Moto Capital 2025 comprovou, mais uma vez, a amplitude e a versatilidade do rock. A apresentação de Renato Coelho RC reforçou essa diversidade e mostrou que, quando há verdade no palco, não existe um formato único. A noite foi completa – e Renato garantiu seu lugar de forma natural e autêntica.