14 de fevereiro de 2026
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Animais ganham protagonismo em terapias que beneficiam corpo e mente de pacientes

 Animais ganham protagonismo em terapias que beneficiam corpo e mente de pacientes

Foto: Marketing do Hospital Mater Dei Salvador

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Carinho, afeto e companhia: gestos simples como acariciar um cachorro podem ir além do conforto e contribuir de forma significativa para a recuperação de pacientes. A Terapia Assistida por Animais (TAA) tem ganhado cada vez mais espaço em instituições de saúde no Brasil como uma abordagem complementar, proporcionando benefícios físicos, emocionais e cognitivos. No Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), essa prática já está inserida no modelo de assistência humanizada, com destaque especial no atendimento a crianças e indivíduos com distúrbios do neurodesenvolvimento.

De acordo com Gabriela Rêgo, coordenadora do Serviço de Psicologia do HMDS, a introdução da TAA atende à crescente busca por cuidados mais humanos no ambiente hospitalar. “O contato com o cão promove liberação de neurotransmissores associados ao bem-estar, como ocitocina, dopamina e endorfina. Isso impacta diretamente na redução de sintomas como ansiedade, tristeza e estresse, melhora o engajamento social e até a percepção de dor”, explica.

Pesquisas já demonstram que o toque e a convivência com animais auxiliam na redução do uso de analgésicos e incentivam os pacientes a aderirem com mais facilidade a terapias fisioterápicas. No hospital, as visitas com animais são cuidadosamente organizadas por uma equipe multidisciplinar, que avalia previamente a condição clínica e emocional de cada paciente. “Os pacientes que mais se beneficiam são aqueles de longa permanência hospitalar, geriátricos, pediátricos e com histórico de vínculo afetivo com animais”, completa Gabriela.

A organização das visitas fica sob responsabilidade da gerente de enfermagem Camila Neves Santana, que destaca o caráter voluntário da participação e o cumprimento de critérios médicos rigorosos. “Nosso objetivo é promover a interação com um animal dócil, que muitas vezes desperta memórias afetivas e contribui para a recuperação. Atuo junto à equipe de psicologia, enfermagem e médicos para garantir que o momento tenha o maior aproveitamento terapêutico possível”, afirma.

Quem conquista os corações durante essas visitas é Twix, um border collie de seis anos, treinado desde filhote para atividades em ambientes hospitalares. Ele é guiado por sua tutora, a especialista em comportamento canino Ana Paula Queiroz, fundadora da AuAu Creche Canina. “O trabalho dele se enquadra na categoria de Atividade Assistida por Animais. Visitamos os pacientes com foco em recreação e acolhimento, melhorando a qualidade de vida de forma indireta. Para o Twix, tudo isso é uma grande brincadeira com bolinha e comandos”, conta.

Para manter a segurança dos atendimentos, Twix segue uma rotina rigorosa de cuidados com a saúde e higiene. “Ele toma banho semanalmente, realiza exames parasitológicos com frequência, mantém a vacinação em dia e passa por avaliações periódicas de dor, especialmente nas articulações. Isso é fundamental para preservar o bem-estar do cão e de todos os pacientes”, reforça Ana Paula.

A expansão da Terapia Assistida por Animais representa uma nova forma de enxergar o cuidado em saúde: além de tratar o corpo, também acolher as emoções e a saúde mental. “A presença do animal tem papel fundamental na descompressão psíquica, resgatando o prazer, o acolhimento e a alegria em meio ao processo de adoecimento”, conclui Gabriela Rêgo.

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