Agamenon de Abreu comemora 35 anos de carreira com espetáculo solo sobre vida e finitude
Foto: Fernanda Maia
Após 35 anos de trajetória nos palcos, o multiartista Agamenon de Abreu apresenta, entre outubro e novembro, seu novo espetáculo solo, “A Última Dança”. A montagem é escrita e protagonizada pelo artista e tem direção de Joilson Nunes. A obra combina teatro, dança e artes visuais para abordar temas como finitude, identidade e o papel da arte como instrumento de resistência.
Considerado um dos destaques da cena teatral independente da Bahia, o espetáculo estreia nos dias 30 e 31 de outubro, em Massarandupió, no CAMMA – Centro de Artes Maxim Malhado. Em novembro, a montagem chega a Salvador para uma temporada de apresentações.
A narrativa acompanha um Costureiro que recebe uma encomenda misteriosa: produzir, em apenas sete dias e sob absoluto sigilo, o traje mais importante de sua carreira, destinado à “Última Dança” de uma pessoa. A partir desse trabalho, a história transita entre o real e o universo onírico, enquanto agulha, linha e tecido passam a representar os caminhos da própria vida.
Em cena, Agamenon costura o próprio figurino, dança, canta e interpreta diferentes personagens, construindo uma experiência imersiva marcada por elementos do realismo fantástico.
A equipe artística reúne nomes de diferentes áreas. A Concepção Cenográfica é de Maxim Malhado, com João Lima e Lenon Sacramento como assistentes de Direção. Dão de Abreu assina a Direção Musical, enquanto Isis Carla é responsável pela Direção de Movimento e Victor Hugo pela Iluminação. A Preparação Vocal fica a cargo de Andrea Alves e a Produção é de Luciene Brito. A Comunicação é da Tráfego de Ideias e as Mídias Sociais são assinadas por Alexandre Fateicha.
O próprio Agamenon é responsável pelo Figurino, com assistência de Alyson Verde. A trilha também conta com um trio musical formado por Ilma Nascimento, no violoncelo; Emillie Lapa, na percussão e harmônicos; e Apolo Matos Abreu, na guitarra.
“Entre as coisas mais prazerosas deste momento está a reunião desta equipe. Há histórias que começam muito antes de chegar aos palcos. Joilson Nunes, por exemplo, foi o meu primeiro diretor. Foi ele quem estava presente em minha estreia, há 35 anos. Tempo é senhor de tudo. E esta Última Dança representa esse mistério e a vontade de reunir pessoas e linguagens, entre luminosas sensações, construções e entregas. É um momento de muita inspiração e o público vai sentir tudo isso de forma muito prazerosa e reflexiva, pois é isso que também buscamos”, conta Agamenon.
Além da temporada teatral, o projeto prevê atividades de formação e diálogo com o público. No dia 18 de novembro, será realizada uma Oficina de Visualidade da Cena, em local ainda a ser confirmado, conduzida por Maxim Malhado e Agamenon de Abreu. A atividade apresentará aos participantes os processos envolvidos na criação visual do espetáculo, incluindo figurino, cenografia e concepção estética.
A programação também contará com Rodas de Bate-Papo ao longo da temporada. Os encontros vão reunir o público e integrantes da equipe artística para discutir questões presentes na obra, como morte, identidade, ancestralidade e processos de criação. As datas e demais informações serão divulgadas posteriormente.
O projeto “Trilogia VIDAS – A ÚLTIMA DANÇA”, voltado à montagem e circulação do espetáculo solo escrito e protagonizado por Agamenon de Abreu, com direção de Joilson Nunes, foi selecionado pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia. A iniciativa conta com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e é executada pelo Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura do Estado.
Sobre Agamenon de Abreu
Agamenon de Abreu é Doutor e Mestre em Artes Cênicas pelo PPGAC da Escola de Teatro da UFBA. Graduado em Desenho Industrial – Programação Visual pela Universidade Estadual da Bahia (1999), também possui pós-graduação em Fundamentos do Ensino da Arte.
Ao longo da carreira acadêmica, foi professor de Figurino, Maquiagem, Cenografia e Movimento na UNB, em Brasília, além de ter lecionado Figurino e Metodologia Visual na UNIJORGE, em Salvador. Na Escola de Teatro da UFBA, atuou nas áreas de Cenografia, Teatro de Formas Animadas e Artes Visuais.
Atualmente, é professor do curso de Design da UNEB, no Campus Cabula, em Salvador. Também exerceu a função de Coordenador Geral e de Produção do Centro Técnico do Teatro Castro Alves.
Sua trajetória reúne experiências em Educação, Direção de Arte, Cenografia Teatral, Adereçaria, Figurino e Interpretação Teatral. Desde 1998, integra como membro fundador o Grupo de Teatro Viapalco, que faz parte do Coletivo Âmbar, formado por grupos da América Latina voltados à investigação do teatro contemporâneo.
Agamenon também integra a Arte Sintonia Companhia de Teatro, onde atua como ator, cenógrafo, figurinista e diretor do espetáculo “Dandara na Terra dos Palmares”.