AFASTEM DEUS DESSE LAMAÇAL
Coluna Wense, 12 de janeiro de 2026

Por Marco Wense
Quem acompanha a Coluna Wense sabe que venho questionando o uso do nome de Deus em vão, mais especificamente no movediço e traiçoeiro mundo da política.
Faço essa crítica assentado no Êxodo 20:7 do terceiro mandamento: “Não tomarás o Nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o Seu Nome em vão”.
A maioria esmagadora dos políticos, com mandato ou não, usa o nome de Deus com o objetivo de agradar os religiosos. Essa significativa parcela do eleitorado pode decidir uma eleição, seja para o Executivo ou Legislativo. Entre eles, alguns ateus.

Fiz um comentário no dia 5 de dezembro de 2025 sobre o assunto, com o título “O LIVRO SAGRADO E A POLÍTICA”. A imagem acima da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro com a Bíblia na mão provocou a coluna.
Para os maldosos e fofoqueiros de plantão, digo logo que não estou insinuando que Michelle Bolsonaro usa o nome de Deus para sensibilizar a opinião pública em relação ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, que colhe o que plantou quando era o mandatário-mor do país.
O problema é acreditar no que diz o clã Bolsonaro, se é verdade ou não. Uma hora Bolsonaro caiu da cama e bateu a cabeça. Minutos depois, estava andando, ficou tonto e caiu. Uma versão atrás da outra.

Michelle diz que viu Bolsonaro pedindo para “Deus levá-lo, porque ele não aguentava mais a dor”. Se tudo for verdade, se faz urgente que o ministro Alexandre de Moraes atenda o pedido de prisão domiciliar.
No mais, que os políticos, deixando de fora as exceções, infelizmente poucas, não façam de Deus um “cabo eleitoral”. Afastem ELE desse lamaçal.
E agora Coronel ?

Pelo andar da carruagem, o melhor conselho para o senador Angelo Coronel é ter uma conversa olho no olho com Otto Alencar, presidente estadual do PSD. Perguntar para o colega de legenda e da Câmara Alta qual é mesmo sua posição em relação à majoritária da base aliada do lulopetismo, como irá se comportar diante de uma composição puro-sangue, 100% petista. O tempo vai passando e não se sabe o que se passa pela cabeça do chefe do PSD. A política não costuma socorrer os que dormem. Depois não adianta chorar o leite derramado, como diz a sabedoria popular.
Conselho de ética e o STF.

“Quem não deve, não teme”, é assim que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devem encarar a criação de um Conselho de Ética.
A proposta é de Edson Fachin, presidente da Corte. Vale lembrar ao caro e atento leitor que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não tem competência para fiscalizar a instância máxima do Poder Judiciário.
As duas Casas do Congresso Nacional – Câmara dos Deputados e Senado da República – têm seu Conselho de Ética, que além de zelar pelo decoro parlamentar, fica na obrigação de investigar denúncias contra os parlamentares.
O STF tem que ter seu Conselho de Ética. A proposta de Fachin é merecedora de aplausos. Do contrário, um gigantesco retrocesso se não for adiante. (Coluna Wense, 12 de janeiro de 2026).
Por Marco Wense