Adiamento da maternidade aumenta procura por métodos de preservação da fertilidade no Brasil
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Cada vez mais brasileiras têm optado por adiar a maternidade, refletindo mudanças significativas no comportamento social e no papel da mulher na sociedade atual. A busca por formação acadêmica, crescimento profissional e estabilidade financeira antes de ter filhos deixou de ser exceção e passou a ser uma tendência consolidada. Nesse contexto, cresce o interesse por alternativas que ajudem a conciliar o relógio biológico com os planos de vida, como o congelamento de óvulos. Segundo a diretora médica do IVI Salvador, Dra. Genevieve Coelho, a maternidade vem sendo encarada de forma mais estratégica e planejada. “Hoje, as mulheres estruturam melhor esse momento. Recursos como o congelamento de óvulos permitem preservar a fertilidade e ampliar as possibilidades de gravidez no futuro, oferecendo mais autonomia para conciliar projetos pessoais e profissionais com o desejo da maternidade”, afirma.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o número de gestações após os 35 anos tem aumentado no Brasil nos últimos 12 anos, acompanhando alterações no perfil reprodutivo da população. Esse adiamento é mais comum entre mulheres com maior escolaridade e participação no mercado de trabalho, indicando uma maternidade mais planejada – embora ainda sujeita aos limites biológicos. Isso ocorre porque a fertilidade feminina diminui naturalmente com a idade, especialmente após os 35 anos, quando há redução gradual na quantidade e na qualidade dos óvulos. Nesse cenário, o congelamento se apresenta como uma alternativa relevante. “O ideal é que o procedimento seja realizado em idade mais jovem, preferencialmente antes dos 35 anos, quando os óvulos apresentam melhor qualidade, aumentando as chances de uma gestação futura”, explica a especialista.
O congelamento de óvulos é feito a partir da estimulação ovariana com o uso de hormônios, permitindo que vários óvulos amadureçam em um único ciclo. Depois, eles são coletados por meio de um procedimento minimamente invasivo e armazenados em temperaturas extremamente baixas, podendo permanecer preservados por tempo indeterminado. A técnica é indicada tanto para mulheres que desejam postergar a maternidade por razões pessoais ou profissionais quanto para aquelas que buscam se antecipar a possíveis perdas de fertilidade ao longo do tempo.
O aumento da procura também aparece nos números. Em 2024, foram congelados 151,6 mil óvulos no Brasil, de acordo com o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio). Desse total, 57,1% pertenciam a mulheres com 35 anos ou mais — o que indica que muitas ainda recorrem ao procedimento quando a fertilidade já começa a diminuir, reforçando a necessidade de informação e planejamento antecipado.
Diante desse cenário, o congelamento de óvulos se firma como uma alternativa que amplia as possibilidades da maternidade contemporânea, respeitando, ao mesmo tempo, os limites biológicos. Mais do que adiar decisões, a prática oferece informação, autonomia e planejamento para que cada mulher escolha o momento mais adequado para engravidar. “Com os avanços da reprodução assistida e a mudança no comportamento reprodutivo feminino, a maternidade passa a ser cada vez mais uma decisão consciente e alinhada aos diferentes momentos da vida”, conclui a diretora do IVI Salvador.
O procedimento também pode ser recomendado em situações específicas de saúde, como antes da realização de tratamentos que possam afetar a fertilidade, ampliando as chances reprodutivas no futuro.