Junho é dedicado à conscientização sobre infertilidade: conhecimento, prevenção e avanços nos tratamentos fortalecem o enfrentamento do problema
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Questões como: “Até quando a mulher é fértil?”, “Tratamentos contra o câncer afetam a capacidade de ter filhos?”, “O uso prolongado de anticoncepcionais pode causar infertilidade?”, ou ainda “É necessário manter relações todos os dias para engravidar?” são recorrentes quando se fala sobre fertilidade. Outros mitos também persistem, como a ideia de que apenas a mulher é responsável pela infertilidade do casal ou que homens vasectomizados não podem mais ter filhos. Também há quem acredite que a reprodução assistida sempre resulta em gêmeos.
Essas e muitas outras dúvidas ainda fazem parte da realidade de uma grande parcela da população. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 17,5% dos adultos em todo o mundo enfrentam dificuldades para ter filhos.
A infertilidade é definida como a ausência de gravidez em casais que mantêm relações sexuais frequentes, sem o uso de métodos contraceptivos, por um período igual ou superior a um ano. Apesar de comum, o tema ainda é cercado de desinformação, especialmente entre os homens, o que contribui para o estigma que envolve o assunto.
“A informação é uma grande aliada das pessoas que querem ter filhos, os hábitos saudáveis contribuem para a saúde reprodutiva e é importante considerar as consultas de rotina com o ginecologista ou urologista e os exames anuais como forma de prevenção também”, esclarece o ginecologista Joaquim Lopes, fundador do Cenafert – Centro de Medicina Reprodutiva, clínica que integra o Grupo Huntington, referência em reprodução assistida na América Latina.
Joaquim Lopes ressalta ainda que a medicina reprodutiva não beneficia apenas casais com dificuldades para engravidar, mas também pessoas que desejam ser pais ou mães de forma independente, além de casais homoafetivos. “Com os avanços da sociedade, a reprodução assistida ganhou um papel fundamental para os novos modelos familiares”, afirma.
O especialista também destaca a importância das técnicas de preservação da fertilidade, como a criopreservação, que permitem manter as chances de ter filhos no futuro, especialmente para quem precisa passar por tratamentos contra o câncer que podem afetar a função reprodutiva.
Importância do aconselhamento reprodutivo
Apesar dos avanços, a falta de conhecimento sobre saúde reprodutiva ainda é significativa. Muitas mulheres, ao entrarem na casa dos 30 anos, têm o desejo de ser mães, mas acabam adiando esse plano por diversos motivos. Nesses casos, o aconselhamento reprodutivo pode ser uma ferramenta importante na prevenção de complicações futuras, já que a fertilidade feminina diminui gradualmente com o passar do tempo.
“As mulheres têm conhecimento sobre o relógio biológico como fator importante da fertilidade, mas ainda precisa haver mais conscientização sobre a importância de preservar sua condição reprodutiva”, destaca.
De acordo com o médico, é comum que muitas mulheres só busquem apoio médico em fases mais avançadas da vida, quando a fertilidade já está reduzida, sem nunca terem avaliado antes sua saúde reprodutiva. “Ao diagnosticar e tratar precocemente um fator de fertilidade, a mulher pode manter sua saúde reprodutiva e evitar problemas que exijam tratamentos mais complexos para ter filhos”, explica.
Mulheres com menos de 30 anos, que têm vida sexual ativa e desejam engravidar, podem aguardar até dois anos para que a gestação ocorra de forma espontânea, desde que tenham sido avaliadas por um especialista e não apresentem nenhuma condição que comprometa sua fertilidade. Já para aquelas com mais de 30 anos, o ideal é não esperar mais de um ano para iniciar uma investigação médica. Quando a mulher atinge os 35 anos, esse período deve ser reduzido para seis meses. E, a partir dos 40, a orientação é buscar imediatamente uma avaliação da capacidade reprodutiva.
Cuidados com a fertilidade
De acordo com o ginecologista Joaquim Lopes, manter uma rotina de consultas e exames periódicos é fundamental para a saúde reprodutiva de homens e mulheres. Mas não é só isso: adotar hábitos saudáveis também contribui para aumentar as chances de uma gravidez natural. Praticar exercícios físicos regularmente, controlar o estresse e a ansiedade, garantir boas noites de sono, manter uma alimentação equilibrada, conhecer o período fértil da mulher e manter uma vida sexual ativa — com média de três relações por semana — são atitudes que favorecem a fertilidade. O consumo excessivo de álcool deve ser evitado.
“Manter-se no peso adequado, não fumar e praticar sexo seguro também ajudam a condição reprodutiva”, destaca o médico. “A obesidade, o tabagismo e as Infecções Sexualmente Transmissíveis podem comprometer a fertilidade nos dois sexos”, acrescenta.
Durante muito tempo, a dificuldade para engravidar era atribuída exclusivamente às mulheres. No entanto, atualmente já se sabe que os fatores que levam à infertilidade devem ser analisados em ambos os parceiros. Dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) mostram que cerca de 35% dos casos estão relacionados à mulher, outros 35% ao homem, 20% envolvem causas combinadas e 10% permanecem sem diagnóstico definido. Por isso, quando um casal não consegue engravidar naturalmente, a investigação da infertilidade precisa considerar os dois lados.
Avanço tecnológico na reprodução assistida
Entre os principais desafios enfrentados nos tratamentos de reprodução assistida está a fase de implantação do embrião no útero materno. Garantir que essa etapa ocorra com sucesso é fundamental para uma gestação saudável e para evitar repetidos ciclos de Fertilização in Vitro – que, além de caros, podem causar desgaste emocional. Para tornar esse processo mais eficaz, o Cenafert implantou, de forma pioneira em Salvador, uma tecnologia de ponta: o EmbryoScope® Plus.
Essa incubadora moderna permite acompanhar o desenvolvimento dos embriões em tempo real, sem que seja necessário retirá-los do ambiente controlado. O equipamento, integrado à Inteligência Artificial, utiliza um sistema de vídeo em time-lapse que captura imagens a cada 10 minutos. Assim, é possível monitorar com precisão o crescimento embrionário 24 horas por dia, sete dias por semana, otimizando as chances de sucesso nos tratamentos.
Uma nova ferramenta tecnológica está revolucionando os tratamentos de reprodução assistida na Bahia. Trata-se de uma incubadora de última geração, que integra sistema de vídeo time-lapse e inteligência artificial, trazendo avanços significativos para o monitoramento e a seleção de embriões.
“Essa tecnologia é um marco na reprodução assistida na Bahia e uma tendência nos principais centros e laboratórios de reprodução assistida do mundo”, destaca a ginecologista Gérsia Viana, especialista em medicina reprodutiva e diretora do Cenafert. “O embrioscópio possibilita a análise de um grande número de informações do desenvolvimento embrionário e, consequentemente, auxilia na escolha do melhor embrião que será transferido ao útero”, acrescenta a especialista.
O novo equipamento torna possível identificar com maior precisão o embrião mais promissor, além de indicar o momento ideal para a transferência ao útero da paciente, em um procedimento mais seguro e eficaz. “O sucesso dos tratamentos de Fertilização in Vitro depende da qualidade e da morfologia do embrião assim como sua capacidade de se desenvolver de forma saudável, o que permite um ciclo de Fertilização in Vitro bem sucedido”, explica a embriologista Janaina Mendes Maciel, integrante da equipe do Cenafert.
Outro ponto positivo da tecnologia é que ela permite aos pacientes acompanhar, por meio de imagens, o desenvolvimento do embrião ao longo de sua evolução — algo que não era possível com os métodos anteriores.
Na abordagem tradicional, era necessário retirar os embriões da incubadora para observá-los em um microscópio, o que envolvia manipulação fora do ambiente controlado. Agora, com o uso da incubadora equipada com o sistema de vídeo time-lapse e inteligência artificial Maia, desenvolvida pelo Grupo Huntington, esse processo acontece de maneira contínua e sem interferência externa. “Essa tecnologia permite que o monitoramento do desenvolvimento embrionário e a seleção dos melhores embriões sejam realizados de forma mais assertiva e segura, sem demandar nenhuma manipulação externa”, afirma Janaina Mendes Maciel.