Autismo: Psicóloga Bianca Reis ressalta a relevância do diagnóstico precoce
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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que impacta a interação social, a comunicação verbal e não verbal, além de estar associado a comportamentos repetitivos e interesses restritos. Geralmente, o diagnóstico do autismo ocorre entre um ano e meio e três anos de idade, mas sinais podem ser percebidos já nos primeiros meses de vida. No entanto, também há casos em que a identificação ocorre apenas na fase adulta.
“O autismo é uma questão social assim como de saúde pública. Com isso, conscientizar a população, buscar políticas públicas e melhorias para as pessoas com TEA e suas famílias é essencial e indispensável’’, afirma a psicóloga Bianca Reis.
O TEA afeta o sistema nervoso e pode se manifestar de formas variadas, tanto em alcance quanto em intensidade. O dia 2 de abril foi estabelecido pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, sendo que todo o mês de abril é dedicado a debates sobre o tema. A data foi oficializada em 18 de dezembro de 2007 com o propósito de ampliar a compreensão pública e reduzir o preconceito contra as pessoas dentro do espectro.
A psicóloga alerta ainda para os perigos da romantização do autismo, que tem sido motivo de preocupação para especialistas da área.
“A romantização do autismo provoca brigas dentro da comunidade, faz as pessoas terem o entendimento errado do que é o autismo e influencia as políticas públicas e toda legislação ou toda discussão de política pública causa várias implicações na comunidade do autismo.
Além do aumento dos diagnósticos devido a subnotificação do passado e questões multifatoriais, há também quem esteja passando a considerar que obter o diagnóstico, sem estar no espectro, é interessante”, argumenta.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 70 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas com TEA, sendo que no Brasil esse número ultrapassa 2 milhões. Ainda assim, muitas famílias relutam em discutir o assunto abertamente devido ao estigma existente.
“Crianças diagnosticadas com TEA, assim como seus familiares, não se sentem à vontade para falar do assunto abertamente, pois ainda existe discriminação em relação a essa temática”, acrescenta a psicóloga.
A identificação precoce do autismo desempenha um papel fundamental, pois possibilita que os responsáveis compreendam melhor a rotina, as necessidades e os desafios enfrentados pela criança.
“É indispensável ampliar a visibilidade para essa luta, é preciso acesso às avaliações diagnósticas prévias, intervenções especializadas, políticas públicas e respeito pela diversidade”, reforça Bianca Reis.
A legislação brasileira avançou nos últimos anos com a criação de mecanismos de proteção para pessoas com TEA. A Lei 12.764, sancionada em 2012, garantiu direitos fundamentais a essa população. Já em 2020, a Lei 13.977 instituiu a carteira de identificação da pessoa com autismo. No entanto, apesar dessas conquistas, muitas pessoas ainda enfrentam barreiras para inclusão, seja no ambiente escolar ou no mercado de trabalho.
“O compromisso em acreditar, estimular e inserir com inclusão afetiva (e não apenas aceitação), contextualizada e respeitosa é premissa indispensável para o desenvolvimento das potencialidades individuais, conquista de autonomia e qualidade de vida, do paciente com TEA”, conclui Bianca Reis.
Sobre Bianca Reis
Psicóloga (CRP 03/11.152), psicoterapeuta, palestrante e facilitadora de grupos, Bianca Reis possui mestrado em Família, além de especialização em Psicoterapia Junguiana. Ela é pós-graduada em Estimulação Precoce e cursa pós-graduações em Neuropsicologia, Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem, além de formação em Terapia do Esquema. Com mais de 11 anos de experiência clínica, atua no tratamento de questões relacionadas a relacionamentos familiares e românticos, sexualidade, gênero, infância, ansiedade, depressão e outras demandas psicológicas.