Escritor Alessandro Pithon planeja publicar dois novos livros: “Garrafas de Vidro” e “200 anos depois”
Foto: Divulgação/SolPod
O escritor soteropolitano, Alessandro Kruschewsky Pithon, de 54 anos, planeja publicar dois novos livros, intitulados “Garrafas de Vidro” e “200 anos depois”. Conhecido por escrever o livro “O Malabarista”, o autor esteve em um bate-papo no PodCast SolPod no dia 27 de novembro, e revelou sobre sua caminhada como escritor, o contato com o Heitor – personagem do livro O Malabarista -, e sobre como o Espiritismo lhe ajudou a enxergar o mundo de outra maneira.
Alessandro explica que o livro 200 anos depois, falará sobre uma experiência a trabalho quando viajou para Angola, quando descobriu que em algum momento anterior, em sua vida passada, que aquele continente africano era a sua terra natal.
“Quando estava indo para Angola a trabalho, no momento em que o avião pousou em solo africano, cuja cultura nos influenciou muito, principalmente aqui na Bahia, quando eu salto do avião, eu começo a me emocionar de uma maneira que as lágrimas começam a cair. Eu faço todo um percurso de pista no aeroporto de Luanda, até pegar a minha mala chorando, emocionado de estar ali, um sentimento muito forte de estar ali, pois em algum momento da minha vida anterior eu estive naquela terra”, diz o autor.
Seu primeiro contato com os livros foi através de uma coleção de livros voltada para o público juvenil chamada Coleção Vagalume, da editora Ática, com histórias de suspense e aventura. O primeiro livro em que leu se intitulava como “Ilha Perdida”, da autora Mária José do Pré.
“Quando eu terminei de ler a Ilha Perdida, apesar de ser um livro de aventura, não era um livro triste, eu estava deitado em minha cama, coloquei o livro sobre meu peito, abracei o livro como se fosse uma pessoa e comecei a chorar. Eu com meus 10 anos, eu não entendia porque estava chorando, e lembro que até fechei a porta do quarto para a minha mãe não vê aquilo, ela iria me perguntar e eu não sabia dizer. Anos depois lembrando desse fato, e tentando chegar a uma conclusão porque aquele choro veio, imagino que tenha sido porque, é como se minha alma tivesse tendo contato pela primeira vez com algo que iria fazer parte de minha vida para sempre, que era a Literatura”, afirma Alessandro.
Com 15 anos, em 1985, o autor mineiro Fernando Sabino era seu ídolo. Em 1 ano, Alessandro comprou e leu 25 livros do autor. Até que em um dia, quando estava no shopping Itaigara, percebeu que ele estava dando autógrafos no lançamento do seu novo livro. Então, decidiu voltar para casa rapidamente, pegou todos os 25 livros, colocou em uma sacola e levou para Fernando Sabino autografar todos.
“Ele inicialmente tomou um susto, mas logo viu que eram obras dele, e aí ele deu um sorriso, e eu aproveitei esse sorriso dele para perguntar se ele poderia autografar todos. Ele olhou para a fila atrás de mim, chamou o gerente da livraria, pediu que colocasse uma cadeira ao lado dele e perguntou se eu poderia passar a tarde e a noite ali, e eu fiquei até às 22h da noite ao lado do meu ídolo literário, e ele autografou todos os meus livros. Nesse dia, eu tive certeza que queria ser escritor”, disse o autor.
O Malabarista é uma obra escrita em fatos reais
Durante o bate-papo, Alessandro revelou que sua obra O Malabarista é inspirada em fatos reais, o homem Heitor realmente existiu, e que se conheceram como nas primeiras páginas do livro, após uma chuva misteriosa que fez eles se conhecerem, onde nasceu dali uma grande amizade. No entanto, essa amizade só durou 1 ano, pois o senhor Heitor veio a falecer.
“Eu sentava com ele na praça quase todos os dias, ou ele ia me visitar no cinema, conversávamos, e ele me contou a história de vida dele, que me impressionou muito. Só que durante os nossos encontros, nunca veio na minha cabeça, escrever sobre a vida dele. Mas no dia que ele morreu, de que eu recebi a ligação que ele havia falecido, pra mim foi um choque porque eu estava com ele na noite anterior”, disse.
“Quando eu cheguei no velório, se aproximou de mim uma pessoa que trabalhava com ele na casa dele e me disse ‘Alessandro, nessas últimas semanas, Heitor repetia muito dentro de casa que você ainda iria escrever um livro sobre ele. Depois disso não teve jeito, eu transformei na história daquele senhor no livro O Malabarista. Eu não escrevi uma biografia, eu criei um romance na história dele”, explicou.
Ele afirma que sempre quando sentava para escrever, as informações que ele havia falado ao longo daquele ano vinha em sua memória de maneira muito clara. Sempre teve a sensação de que Heitor estava próximo, como se contasse tudo novamente. Além disso, Pithon também usou a sua criatividade para construir a história baseado em que escutou de uma maneira que ficasse no gênero romance.
Quem leu sua obra, deve ter percebido que os personagens não tem características físicas, e isso ele fez de propósito. “Eu fiz isso de forma intencional e fiz questão de não trazer características, porque o objetivo é fazer com que o leitor absorva as qualidades da alma de cada personagem. Não importa se ele é branco, preto, amarelo, não importa as características físicas, a cor da pele, o que importa é a qualidade da alma e da pessoa”.
As dificuldades de ser um escritor
Apesar do seu sonho de escritor, o autor também desabafa sobre as dificuldades dessa profissão, que é pouco valorizada no Brasil. “Quando um escritor publica um livro e quando uma pessoa chega na livraria para comprar, a livraria ganha 50% do livro, 40% da editora, e 10% é do autor. Então a gente enfrenta essa dificuldade, tanto que passo meus perrengues, mas eu estou fazendo o que eu amo”.
Em Jacobina, Alessandro começou a vender seu livro O Malabarista em uma pequena banca, onde uma professora em uma sexta-feira se interessou bastante pelo livro e comprou. Na segunda-feira, ela retorna, dizendo que leu o livro inteiro em um final de semana, e pediu que seu livro fosse apresentado na escola onde ela ensinava.
“A partir desse momento eu fui ao colégio onde ela ensinava, inclusive era o principal colégio de Jacobina, fui de sala em sala, falei sobre o livro, ela me pediu que levasse os exemplares para vender. Poucos dias depois, eu cheguei no colégio e vi aqueles jovens lendo o meu livro, com aquele contentamento, e quando eu percebi que a história de Heitor emocionava as pessoas, principalmente nessa faixa de adolescentes, imaginei que seria um livro para adulto, mas toca o coração dos jovens”, disse.
“Então eu decidi ir para Salvador para apresentar o livro nos colégios de lá. Fui de colégio em colégio em Salvador, até que fui recebendo a notícia que cada um queria trabalhar com o livro, como colégios importantes de Salvador como o SARTRE, o Integral, o Módulo, Antônio Vieira e muitos outros que foram trabalhando com o livro, e isso fez com que eu tivesse um retorno e me desse condições de eu tocar minha vida dessa maneira”, finaliza Alessandro.
De acordo com o autor, provavelmente em 2025, estará lançando dois novos livros: “Garrafas de Vidro” e “200 anos depois.
Para seguir o autor no Instagram: @alessandrodrokp