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Festival Màriwò L’Ònà exalta a ancestralidade e preserva a memória na Ilha de Itaparica

 Festival Màriwò L’Ònà exalta a ancestralidade e preserva a memória na Ilha de Itaparica

Foto: Divulgação

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A memória de Gameleira, na Ilha de Itaparica, através dos saberes de suas lideranças e a continuidade da cultura dos terreiros se encontram no Festival Mariwò Ònà. Realizado pela Associação Katendê, reúne rodas de conversas, atividades educativas, artísticas e religiosas na localidade. Com o tema “Exu guarda a porta, a memória sustenta a casa”, o festival reverência o orixá dos caminhos e estende sua programação de 29 de outubro a 20 de novembro. Confira a programação a seguir.

Com ações digitais e presenciais, o festival aproxima gerações para celebrar histórias, fortalecer vínculos comunitários e abrir caminhos para a continuidade dos saberes locais. A agenda começa no dia 29 de outubro com a roda de conversa “A História da Ilha de Itaparica” que traz a participação do professor Milton Moura, e apresenta as trajetórias que constituem o território e a participação das populações negras na construção de sua identidade.

No dia 30 de outubro, o ciclo tem seguimento numa conversa com Rafael Tupinambá e Moisés Palmares, que refletem sobre a “A Ilha de Hoje”. Ao colocar o passado e o presente em diálogo, o encontro propõe reconhecer os moradores como produtores de conhecimento.

Já no dia 31 de outubro, cujo o tema é “Exu: Entre o Passado e o Presente”, os Babalorixás Antônio Uzeda e Carlos Junior, e o Àfikọ̀dẹ́ Nelisson Galvão, compartilham modos de enfrentamento aos estigmas que alimentam o racismo religioso. Todas as rodas são transmitidas no canal do YouTube da Associação Katendê, às 19h, com interpretação de Libras.

“Estes encontros nascem do compromisso de reconhecer quem mantém a memória da nossa comunidade viva”, afirma a mãe Ana de Katendê, titular do Ilé Oyá Axé Alakaye, idealizadora do festival. “Queremos que as crianças e os jovens encontrem nas histórias dos mais velhos referências para imaginar seus próprios caminhos, e que nossas lideranças sejam reconhecidas pelo conhecimento que produzem e compartilham”, declara a sacerdotisa.

Vem por aí

A programação presencial destina para o dia 7 de novembro uma atividade brincante que aproxima infância, juventude e ancestralidade no Ilê Oyá Axé Alakaye, na Gameleira. Crianças de 5 a 10 anos são convidadas para uma pela manhã com brincadeiras tradicionais que atravessam gerações. À tarde, jovens de 11 a 16 anos terão oficinas teatrais inspiradas nas histórias dos orixás, em uma proposta que articula imaginação, expressão corporal e aprendizado. O encontro valoriza o brincar como prática de transmissão de saberes e reconhece as novas gerações como participantes da vida cultural do território.

Fotos e depoimentos de dez lideranças sociais e religiosas de Gameleira ganharão um espaço digital, no dia 14 de novembro. Na galeria virtual, a trajetória de cada participante compõe um conjunto de testemunhos sobre a vida comunitária. Com recursos de acessibilidade, a mostra amplia a circulação dessas histórias para além da Ilha, e culmina com a entrega de honrarias às pessoas homenageadas.

O encerramento leva a celebração ao espaço público com um xirê de rua, no dia 20 de novembro. Um cortejo de comunidades de terreiro, que exalta o orixá Exu, abre o programa que ocupa a Praça da Gameleira e o Ilê Oyá Axé Alakaye. A festa conta com apresentações do Grupo Nosso Jeito, do Samba da Gameleira e do Afoxé Obá, além de barracas de comerciantes locais e distribuição gratuita de acarajés.

“Queremos ver a Gameleira celebrando a própria história com seus mais velhos homenageados, suas crianças brincando e seus terreiros reconhecidos como espaços de memória e criação”, ressalta Ananda Sandes, representante da Associação Katendê, sobre o projeto financiado por meio de política pública de incentivo à cultura. “Se somos os sonhos de quem veio antes ganhando corpo, voz e caminho. Fazer essa festa é afirmar que nossa fé tem lugar, nossa história tem valor e nosso futuro também nos pertence”, realça.

SOBRE A ASSOCIAÇÃO KATENDÊ
A Associação da Salvaguarda da Memória e Identidade Gameleira (Associação Katendê) é uma organização sem fins lucrativos sediada em Vera Cruz, na Bahia. Atua na preservação das culturas e religiões de matriz africana, na valorização da identidade negra e no fortalecimento comunitário, por meio de ações educativas, artísticas, profissionais e ambientais. Entre suas iniciativas estão o Festival Mariwò L’Ònà e o projeto Raízes Vivas da Saúde, dedicado à circulação de saberes tradicionais e práticas comunitárias de cuidado.

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