Moraes afirma que Mendonça tenta associá-lo à delação de Vorcaro
Foto: Fellipe Sampaio/STF
Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), trocaram acusações durante a sessão desta terça-feira (15), realizada no julgamento que analisa a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes.
Durante a discussão, Moraes afirmou que Mendonça teria pressionado investigadores da Operação Compliance Zero para que seu nome fosse incluído em uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e proprietário do antigo Banco Master. Vorcaro é investigado por suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras de grandes proporções.
“Quem tem medo da Polícia Federal?”, indagou Moraes. “Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que colocasse um colega na colaboração premiada [de Vorcaro]?”. O ministro declarou ainda que teria testemunhas, incluindo advogados e policiais, que afirmam ter presenciado Mendonça solicitar que seu nome fosse incluído na delação.
Na avaliação de Moraes, a postura do colega teria relação com interesses políticos e eleitorais. “Porque está a serviço de um grupo político que tentou dar um golpe neste país”, acusou. A declaração foi feita em referência à relação de Mendonça com o ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável por indicá-lo ao STF.
Em 2025, Bolsonaro e outros aliados foram condenados pela Primeira Turma do Supremo por participação na tentativa de golpe de Estado.
Mendonça, por sua vez, negou que tenha feito qualquer pedido relacionado à inclusão do nome de Moraes na delação de Vorcaro ou que tenha direcionado as investigações envolvendo o caso Master. “Isso é mentira!”, exclamou. “Mentira, mentira, mentira”. Sobre as possíveis testemunhas mencionadas por Moraes, Mendonça afirmou que, caso sejam convocadas, “vão todas mentir”.
Depois do embate entre os dois ministros, Gilmar Mendes, decano do STF, também questionou a atuação de Mendonça e afirmou que o ministro teria agido por razões político-partidárias ao retirar o sigilo de um relatório da Operação Compliance Zero que relaciona Moraes a Vorcaro.
Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem propondo que o julgamento fosse adiado para o dia 23 de setembro. A mesma data já está prevista para a análise de um pedido apresentado por Moraes, que solicita a abertura de investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade na condução do caso Master.
Na sequência, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, interrompeu a sessão para o intervalo de almoço. A previsão era de retomada dos trabalhos às 15h.
Todos os ministros do Supremo participam do julgamento, com Moraes e Mendonça posicionados lado a lado no plenário. Mais cedo, Nunes Marques e Dias Toffoli haviam declarado, respectivamente, impedimento e suspeição para participar da votação do caso.