Flávio Bolsonaro é alvo de investigação no STF por suposto financiamento da “Dark Horse”
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar o senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. A apuração busca esclarecer possíveis irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, produção que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro. Entre as suspeitas estão os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. O caso veio a público nesta sexta-feira (11), após documentos relacionados ao caso Master terem perdido o sigilo. As informações são da Folha de S.Paulo.
Apuração sobre o financiamento do filme
A autorização para investigar Flávio Bolsonaro foi concedida por Mendonça em julho, mas só se tornou pública após a divulgação, pelo STF, de documentos relacionados ao caso Master. O procedimento específico envolvendo o senador permanece em sigilo.
Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil apontam que Flávio teria solicitado R$ 131 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar a produção do longa-metragem. Desse montante, R$ 60 milhões teriam sido efetivamente repassados, segundo informações presentes em planilhas apreendidas pela Polícia Federal (PF).
A solicitação para abertura da investigação foi feita pela própria PF e contou com a autorização da Procuradoria-Geral da República (PGR). No despacho, Mendonça permitiu a instauração do procedimento para apurar se houve prática de crimes relacionados ao financiamento da obra cinematográfica.
“A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro (…) Autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial”, escreveu Mendonça.
Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e sustenta que os valores destinados ao filme são provenientes de recursos privados. Durante uma agenda de campanha em Roraima, na quinta-feira, o senador voltou a afirmar que não houve utilização de dinheiro público: “Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso”.
Apesar da declaração, a prestação de contas integral da produção ainda não foi divulgada. A empresa responsável pelo filme apresentou informações sobre os gastos à Justiça, mas ainda não foram esclarecidos todos os detalhes referentes ao financiamento realizado por meio do fundo Havengate, com sede nos Estados Unidos.