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Vacinação contra o sarampo é essencial para conter a disseminação do vírus

 Vacinação contra o sarampo é essencial para conter a disseminação do vírus

Foto: Marcos Welber/Acervo Sabin

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O crescimento dos casos de sarampo em São Paulo voltou a chamar a atenção para a necessidade de manter a vacinação em dia como principal forma de prevenção da doença. Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, manchas avermelhadas pelo corpo, olhos vermelhos, tosse seca e intenso mal-estar. Considerado um dos vírus de maior capacidade de transmissão, o sarampo pode causar complicações sérias, como pneumonia, encefalite, cegueira e até levar à morte, principalmente entre crianças, gestantes, idosos e pessoas com baixa imunidade.

Atualmente, o Brasil contabiliza 23 casos de sarampo. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, os registros estão concentrados nos municípios de Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde ampliou as ações de vacinação nessas localidades. Na Bahia, não há casos registrados atualmente. Conforme a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, os últimos registros ocorreram em 2020, quando sete casos foram confirmados e estavam relacionados ao surto iniciado em 2019.

Embora não exista transmissão sustentada do vírus na Bahia, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) destaca que manter índices elevados de cobertura vacinal é essencial para evitar o retorno da doença. “A propagação do vírus voltou devido à redução da cobertura vacinal nos últimos anos, abrindo espaço para o reaparecimento da doença, que já estava sob controle no país desde 2024, quando o Brasil tinha recuperado o status de zona livre da circulação endêmica, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde. Mas, quando parte da população deixa de se imunizar, o vírus volta a circular. Por isso, é fundamental seguir o calendário de vacinação de cada cidade para evitar novos surtos”, afirma o infectologista e consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, Claudilson Bastos.

Segundo o Calendário Nacional de Vacinação, a proteção contra o sarampo começa aos 12 meses de idade, com a primeira dose da vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola. Aos 15 meses, deve ser aplicada a segunda dose, preferencialmente por meio da vacina tetraviral, que também inclui proteção contra catapora.

Pessoas de até 59 anos que não receberam a vacina durante a infância devem procurar uma unidade de saúde para verificar a necessidade de imunização. Além da rede pública, o Sabin Diagnóstico e Saúde oferece a vacina tríplice viral nas unidades das regionais de Salvador e Barreiras.

A transmissão do sarampo ocorre principalmente pelas vias respiratórias, o que contribui para seu elevado potencial de disseminação. Por isso, autoridades de saúde e população precisam manter atenção, sobretudo em locais fechados e regiões com baixa cobertura vacinal. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para várias outras.

“O contágio do sarampo é semelhante, por exemplo, ao da tuberculose, que é transmitida diretamente de pessoa para pessoa por via aérea. Então, a pessoa contaminada deve ficar em isolamento e o contato tem que ser feito com todas as precauções para que não tenha riscos de contaminação, como o uso de máscaras, preferencialmente N95 ou PFF2”, esclarece.

Além dos casos identificados em São Paulo, registros em outros países, como a Bolívia, os Estados Unidos e algumas nações da Europa e da Ásia Central, mostram que o sarampo continua circulando em diferentes partes do mundo. O cenário reforça a necessidade de manter uma cobertura vacinal elevada.

Diante dessa situação, quem pretende viajar para locais que apresentam casos da doença deve procurar atendimento de saúde para receber orientação. “Quem pretende viajar para locais com registro de casos e não se recorda se foi vacinado deve buscar orientação médica. Em algumas situações, pode haver indicação de uma dose de reforço, conforme as recomendações das autoridades de saúde”, explica.

O especialista também ressalta que a vacina contra o sarampo apresenta segurança e eficácia, mas sua aplicação deve ser analisada por um profissional de saúde em determinadas situações. Isso ocorre porque o imunizante utiliza vírus vivo atenuado (enfraquecido), sendo necessário cuidado, por exemplo, em pessoas com doenças agudas febris moderadas ou graves.

Exames laboratoriais auxiliam na confirmação do diagnóstico

O sarampo pode ser identificado clinicamente a partir dos sintomas apresentados pelo paciente. No entanto, a confirmação por exames laboratoriais é considerada o padrão-ouro para diagnosticar a doença e diferenciá-la de outras enfermidades que provocam sinais semelhantes.

A sorologia é o exame mais utilizado para esse objetivo e permite identificar a presença dos anticorpos IgM e IgG em amostras de sangue.

“A sorologia do sarampo é fundamental para confirmar infecções agudas por meio da detecção de anticorpos IgM específicos no sangue. Ela valida o diagnóstico clínico do médico em pacientes com febre e manchas vermelhas, diferenciando o sarampo de outras doenças exantemáticas e ajuda a orientar ações rápidas de vigilância epidemiológica e bloqueio de possíveis surtos”, afirma a coordenadora do Núcleo Técnico Operacional (NTO) do Sabin, Híbera Brandão.

O infectologista Claudilson Bastos reforça que, diante de um surto, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde, mesmo que o resultado da sorologia ainda não esteja disponível.

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